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Exércitos do Chade e do Níger reconquistam cidade tomada por Boko Haram

Perdas humanas foram pesadas: cerca de 200 combatentes do grupo extremista foram mortos no domingo (8/3), para 10 mortos e 20 feridos entre os soldados do Chade

Chade - As Forças Armadas do Níger e do Chade, que iniciaram no domingo (8/3) uma ofensiva conjunta contra o Boko Haram na Nigéria, assumiram o controle da cidade de Damasak (nordeste), uma primeira vitória nesta segunda frente de combate contra o grupo insurgente. "A ofensiva permitiu a tomada de Damasak", cidade nigeriana localizada a 100 km da costa ocidental do Lago Chade, informou nesta segunda-feira uma fonte da segurança do Chade.

Segundo esta fonte, as perdas humanas foram pesadas: cerca de 200 combatentes do grupo extremista foram mortos no domingo, para 10 mortos e 20 feridos entre os soldados do Chade.

Uma fonte em Diffa, capital do sudeste do Níger e localizada a 30 km de Damasak, menciou por sua vez 33 feridos, sem especificar a sua nacionalidade. Nem o governo nem o exército do Níger, que realiza sua primeira incursão em território nigeriano, fez declarações sobre esta vitória contra o Boko Haram, que jurou no sábado fidelidade ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Os exércitos do Chade e do Níger lançaram no domingo uma grande ofensiva terrestre e aérea contra o Boko Haram no nordeste da Nigéria, a partir do sudeste do vizinho Níger. Esta ofensiva marca a abertura de uma segunda frente de combate contra os extremista na Nigérias. O Chade também conduz desde o final de fevereiro uma outra ofensiva em território nigeriano a partir de Camarões, do outro lado do Lago Chade.

O presidente do Chade, Idriss Deby Itno, prometeu na quarta-feira destruir "o grupo armado e eliminar seu líder, Abubakar Shekau, se ele não se render".

A rádio privada Anfani, com sede em Diffa, contabilizou no domingo "mais de 200 veículos" militares em um comboio que partiu para a Nigéria. Milhares de soldados do Níger e Chade estão posicionados há mais de um mês em posição defensiva na província de Diffa, sob o fogo de Boko Haram.

De acordo com uma autoridade de Diffa, os soldados partiram para a guerra sob os aplausos dos habitantes. Homens, mulheres e crianças "acompanharam o comboio por 10 quilômetros" para incentivar os soldados, contou. O Boko Haram havia tomado Damasak em 24 de novembro, matando cinquenta pessoas e obrigando 3.000 outras a fugir, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Os combatentes islâmicos entraram na cidade vestidos como comerciantes e escondendo as suas armas em caixas de mercadorias. O Boko Haram, cujo número de combatentes é estimado em vários milhares, reuniu suas tropas esta semana em seu reduto de Gwoza, no nordeste da Nigéria, enquanto que os atentados e massacres de civis continuam no país.


No sábado (7/3), pelo menos 58 pessoas morreram e 139 outras ficaram feridas em três explosões - incluindo um ataque suicida - atribuídos aos islamistas em Maiduguri, berço histórico do Boko Haram e capital do estado nigeriano de Borno (nordeste).

No mesmo dia, o líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, jurou lealdade ao EI, segundo uma mensagem de áudio divulgada no Twitter. "Anunciamos nossa lealdade ao califa dos muçulmanos, Ibrahim", diz uma voz na mensagem, em referência ao líder do EI, Abu Bakr al-Bagdadi. O áudio, cuja voz pode ser do próprio Shekau, é falado em árabe mas com legendas em francês e inglês.