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Filho de ex-presidente hondurenho é processado por narcotráfico nos EUA

Fabio Lobo é acusado de conspirar para importar e distribuir mais de cinco quilos de cocaína nos Estados Unidos e pode ser condenado à prisão perpétua, segundo o escritório da promotora federal Preet Bharara

A justiça americana julgará por tráfico de drogas Fabio Lobo, filho do ex-presidente hondurenho Porfirio Lobo, detido na quarta-feira no Haiti e extraditado para Nova York, informou nesta sexta-feira a Promotoria Federal de Manhattan, em Nova York.

Fabio Lobo é acusado de conspirar para importar e distribuir mais de cinco quilos de cocaína nos Estados Unidos e pode ser condenado à prisão perpétua, segundo o escritório da promotora federal Preet Bharara.

O detido foi apresentado na tarde desta sexta-feira ao juiz federal Kevin Nathaniel Fox em um tribunal do sul de Manhattan, segundo a mesma fonte.

As autoridades haitianas e americanas capturaram Fabio Lobo na quarta-feira, no Haiti, e o extraditaram para Nova York para ser julgado. Porfirio Lobo foi presidente de Honduras entre 2010 e 2014.

"Fabio Lobo tentou violar a lei nos Estados Unidos conspirando para traficar cocaína. Ser filho de um ex-presidente não significa que está acima da lei", assinalou o promotor Bharara, citado no comunicado.

Segundo a ata de acusação, Lobo cometeu os crimes entre 2009 e 2014, justamente nos anos em que seu pai era presidente de Honduras após o golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho de 2009.

A prisão e extradição de Fabio Lobo faz parte da atual ofensiva do presidente hondurenho, Juan Orlando Hernández, contra traficantes que transportam drogas da América do Sul para os Estados Unidos, apontados como responsáveis por sete a cada dez mortes violentas registradas em Honduras.

Após saber da prisão do filho, o ex-presidente Lobo agradeceu Hernández por tê-lo informado e destacou que "nenhum pai" deseja isto.

Honduras ocupa o primeiro lugar entre os países com mais homicídios do mundo, com uma taxa de 68 por cada 100 mil habitantes, segundo o Observatório da Violência da Universidade Nacional.