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Estado de Minas

Pai de menino que comoveu o mundo volta à Síria para enterrar a família

Os familiares serão enterrados como "mártires de Kobane", porque pagaram com suas vidas para fugir da guerra


postado em 04/09/2015 10:19 / atualizado em 04/09/2015 11:14

Abdullah Kurdi segurando o corpo de seu filho antes de enterrá-lo(foto: AFP Photo/Stringer)
Abdullah Kurdi segurando o corpo de seu filho antes de enterrá-lo (foto: AFP Photo/Stringer)


Kobane, Síria -
O pai do menino sírio de três anos que morreu afogado na Turquia, cuja fotografia provocou uma forte comoção em todo o mundo, retornou nesta sexta-feira (4/9) a Kobane, na Síria, para enterrar a família.

Abdullah Kurdi chegou à cidade de fronteira turca de Suruç com os caixões de Aylan, de seu irmão de cinco anos e de sua esposa, que se afogaram quando a família tentava chegar à Grécia a partir da Turquia. Depois ele atravessou a fronteira e seguiu para a cidade síria de Kobane.

Um comboio acompanhou Kurdi a partir da cidade balneária de Bodrum (sudoeste da Turquia), cenário da tragédia, até a fronteira síria. Abdullah Kurdi, visivelmente devastado, falou com a imprensa em Istambul.

Cerimônia de enterro da família Kurdi(foto: AFP Photo/Stringer)
Cerimônia de enterro da família Kurdi (foto: AFP Photo/Stringer)


"Como pai que perdeu os filhos, não tenho mais nada o que esperar deste mundo. A única coisa que gostaria é que o drama e os sofrimentos na Síria acabassem, que a paz retornasse", disse, de acordo com a agência turca Dogan. Ele também afirmou esperar que o mundo tome consciência do drama dos migrantes.

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A cidade síria organizava o sepultamento da esposa e dos filhos de Kurdi, que serão enterrados como "mártires de Kobane", porque pagaram com suas vidas para fugir da guerra, afirmaram as autoridades locais. Vários deputados turcos atravessaram a fronteira para acompanhar o funeral.

Abdullah Kurdi enterrenado o corpo de seu filho Aylan(foto: AFP Photo/Stringer)
Abdullah Kurdi enterrenado o corpo de seu filho Aylan (foto: AFP Photo/Stringer)


O pai de Aylan contou na quinta-feira (3/9) como os filhos de três e cinco anos e a esposa morreram, ao lado de outros nove refugiados sírios, no naufrágio da embarcação em plena noite quando a família tentava chegar à ilha grega de Kos, porta de entrada para a União Europeia (UE).

"Eu dava a mão a minha mulher, mas meus filhos me escaparam pelas mãos", contou o pai da família na quinta-feira à agência turca Dogan. O corpo de Aylan foi encontrado na quarta-feira (2/9) em uma praia de Bodrum com o rosto voltado para a areia.

Depois do naufrágio que dizimou a família Kurdi, a polícia turca prendeu quatro suspeitos de tráfico de seres humanos, todos de nacionalidade síria.

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