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Estado de Minas

Comediante sem experiência política é o mais votado na Guatemala

Jimmy Morales vai disputar segundo turno com candidato ainda desconhecido


postado em 07/09/2015 11:27

(foto: AFP PHOTO / Johan ORDONEZ )
(foto: AFP PHOTO / Johan ORDONEZ )
Um comediante sem experiência política foi o mais votado na eleição presidencial da Guatemala, mas terá que disputar o segundo turno com um candidato que ainda será definido, em um pleito marcado pelo escândalo de corrupção que provocou a renúncia e detenção do presidente Otto Pérez. Jimmy Morales, um ator e comediante de 46 anos, tinha 26,57% dos votos após a apuração de 71,21% das urnas, segundo o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE).

O segundo colocado é disputado voto a voto entre o magnate e advogado Manuel Baldizón (45 anos), 17,99% dos votos, e a ex-primeira-dama Sandra Torres (59), com 17,13%. Nenhum dos três ficou perto dos 50% dos votos, marca necessária para vencer no primeiro turno. Os dois candidatos mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

Para os analistas, a votação de Morales é uma resposta à necessidade de procurar alguém fora do sistema, em um momento de repúdio à corrupção da classe política tradicional. "Jimmy (Morales) foi o único candidato que você pode chamar de externo ao sistema e que vendeu uma mensagem de 'nem corrupto nem ladrão', e as pessoas precisam disto", afirmou o analista político Sandino Asturias, do Centro de Estudos da Guatemala.

Morales corroborou a análise ao discursar depois do anúncio do resultado. "Somos parte da população cansada, que não quer mais do mesmo". Ao ser questionado sobre um adversário preferido no segundo turno, respondeu que não tem escolha, porque Torres e Baldizón são "mais do mesmo".

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O futuro presidente, que deverá assumir em 14 de janeiro, terá a difícil tarefa de devolver a esperança à Guatemala, afetada pela pobreza em que vivem 54% de seus 15,8 milhões de habitantes e uma violência gerada pelo narcotráfico e por quadrilhas que contribuem com uma taxa de 39 homicídios por cada 100.000 habitantes.

"Quem for eleito deve saber que será fiscalizado por toda a população guatemalteca e, claro, pelo Ministério Público, que investigará quem for preciso, não importa se é o presidente, o vice-presidente ou qualquer outra autoridade", disse a procuradora-geral Thelma Aldana.

Aldana fez parte da investigação que revelou um esquema de corrupção que provocou a renúncia de Pérez e da vice-presidente Roxana Baldetti.

Mais de 7,5 milhões de guatemaltecos estavam registrados para votar e eleger o novo presidente, o vice, 338 prefeitos, 158 deputados e 20 deputados do Parlamento Centro-Americano. No povoado indígena San Juan Sacatepequez, no oeste da Guatemala, guatemaltecos de origem maia com trajes coloridos desafiaram o frio das montanhas para chegar ao centro de votação.

"Os casos de corrupção nos incentivam mais a buscar novos governantes para poder exigir mais", comentou o fabricante de móveis Carlos Cuyuch, enquanto aguardava para emitir seu voto.

Candidatos com pouco apoio
As eleições transcorreram tranquilamente em um ambiente de desencanto com a classe política do país, aprofundado pelo escândalo envolvendo uma rede que cobrava propina para sonegar impostos alfandegários revelada em abril pela Comissão da ONU contra a Impunidade (Cicig).

O ex-presidente Pérez e sua ex-vice-presidente Baldetti foram apontados como os líderes da rede de corrupção, obrigando-os a renunciar em meio a grandes protestos que exigiam sua saída.

"O governo que surgir dessas eleições terá a menor legitimidade dos últimos 30 anos. A eleição não resolve a crise, irá agravá-la ainda mais", previu o ex-chanceler da Guatemala e analista político Edgar Gutiérrez.

Um sinal do sentimento dos eleitores foi o momento em que o juiz Miguel Angel Gálvez, que anunciou a prisão provisória de Perez e Baldetti, foi aplaudido ao votar em uma escola da colônia Quinta Samayoa, no oeste da capital.

Até que o novo presidente assuma, o ex-magistrado Alejandro Maldonado, de 79 anos, exerce a presidência do país. Ele ocupa o cargo desde o dia seguinte à renúncia histórica de Pérez, na última quarta-feira. "O povo deve castigar com o voto os candidatos que enganam", disse Maldonado depois de votar na capital.

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