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Otan ajuda exército afegão na reconquista de cidade estratégica

Os soldados são, sobretudo, militares de elite americanos, britânicos e alemães, que integram o grupo de 13 mil soldados estrangeiros ainda presentes no Afeganistão

Agência France-Presse
postado em 30/09/2015 10:04
A Otan, cuja missão de combate no Afeganistão terminou há nove meses, mobilizou nesta quarta-feira (30/9) seus soldados em Kunduz para apoiar os afegãos que tentam retomar esta grande cidade do norte do país das mãos dos talibãs.

[SAIBAMAIS]Estes soldados estrangeiros, membros das forças especiais, não lutam, mas "aconselham e dão apoio" aos soldados afegãos, afirmou o coronel Brian Tribus, porta-voz das forças americanas, sem fornecer mais detalhes.

A cidade de Kunduz, nas mãos dos talibãs, é sua primeira conquista importante desde a queda de seu regime, em 2001, e representa um grande revés para o presidente Ashraf Ghani e seus aliados ocidentais, liderados pelos Estados Unidos. Nesta quarta-feira a cidade seguia em grande parte nas mãos dos insurgentes.

Segundo uma fonte militar ocidental que não quis se identificar, os soldados da Otan são em sua maioria americanos, alemães e britânicos, embora os alemães tenham retornado na terça-feira à noite a sua base de Mazar-i-Sharif, 150 km a oeste de Kunduz, indicou um porta-voz do exército alemão.

Em paralelo, a aviação americana lançou desde terça-feira três ataques aéreos contra Kunduz e seu aeroporto, onde os combates foram muito intensos durante a noite para tentar frear os insurgentes.

Segundo os serviços afegãos de inteligência, os ataques mataram Mawlawi Salam, o responsável dos talibãs na província de Kunduz, assim como seu ajudante e outros quinze combatentes. "Se os ataques aéreos continuarem poderemos nos retirar de Kunduz, mas vamos estender a guerra a Tajar (uma província próxima) e Mazar-i-Sharif", disse à AFP um funcionário de alto escalão talibã no Paquistão.

Embora os bombardeios só afetem as zonas de combate periféricas, são uma ajuda vital para as tropas afegãs. Kunduz "é um terreno complexo e está cheio de civis", disse à AFP Ben Barry, um especialista do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) de Londres. Além disso, segundo um responsável do governo, as minas e os explosivos freiam o avanço dos reforços do exército.

Até o momento é difícil determinar o número de vítimas, mas segundo o ministério afegão da Saúde até agora 43 pessoas morreram e 338 ficaram feridas.

Objetivo Cabul

A conquista de Kunduz pelos talibãs e a presença no Afeganistão, no momento limitada, do grupo Estado Islâmico colocam novamente sobre a mesa o debate sobre a idoneidade da decisão dos Estados Unidos de retirar totalmente suas tropas do país em 2016. "Confiamos na capacidade (das forças afegãs) para derrotar os talibãs em Kunduz", disse o porta-voz do Pentágono, Peter Cook.



Enquanto isso, os talibãs pediram aos habitantes desta cidade de 300.000 habitantes que retornem a vida normal. "Nesta manhã os talibãs disseram por alto-falantes que as lojas podem reabrir. Mas quem se atreve a fazer isso?", disse um médico que não quis se identificar.

Em um vídeo divulgado no Facebook, os insurgentes anunciam que querem aplicar sua visão rigorista da sharia (a lei islâmica), um sinal de que pensam em se instalar na cidade.

A tomada de Kunduz também tem um aspecto simbólico porque coincide com a nomeação do governo de união nacional de Ashraf Ghani, que prometeu devolver a paz ao seu país após 30 anos de conflito.

Trata-se também da primeira grande vitória do novo chefe dos talibãs, o mulá Akhtar Mansur, designado há alguns meses após o anúncio da morte de seu antecessor, o mulá Omar, que teria falecido em 2013.

Esta grande vitória levantou os ânimos dos talibãs e um de seus responsáveis instalado no Paquistão afirmou que querem estender a guerra a outras regiões. "Se conseguimos tomar Kunduz, Cabul não será difícil de conquistar", afirmou.

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