Jornal Correio Braziliense

Mundo

Reconstituição de fuselagem revela violência da queda do voo MH17

Os investigadores não excluíram que alguns passageiros estivessem conscientes durante os 90 segundos de duração da queda do avião

Gilze-Rijen, Holanda - Ocupando o hangar de uma base aérea e ostentando os sinais de uma intensa explosão, a carcaça reconstruída do Boeing que fazia o voo MH17, derrubado em julho de 2014 no leste da Ucrânia, revela a violência dos últimos instantes da aeronave.

Iluminada por algumas lâmpadas na escuridão do hangar em Gilze Rijen (sul da Holanda), a fuselagem branca do Boeing 777 é adornada com duas linhas horizontais, uma branca e outra vermelha, marca registrada da companhia Malaysia Airlines.

A aeronave reconstituída ocupou um lugar de destaque durante a apresentação, nesta terça-feira, da investigação internacional coordenada pela Holanda sobre as causas da queda.

Posicionado diante da carcaça reconstruída, o diretor do birô holandês de investigação sobre a segurança (OVV), Tjibbe Joustra, afirmou que a aeronave foi abatida por um míssil de fabricação russa tipo BUK.

Leia mais notícias em Mundo

"A parte da frente do aparelho foi perfurada por centenas de objetos com alta energia provenientes de uma ogiva", ressaltou o informe, publicado 15 meses depois da tragédia.

Sobre a parte da frente da fuselagem, que pôde ser inspecionada pelos jornalistas presentes, vários orifícios revelaram a violência da explosão do míssil.

"Em seguida ao impacto, os três membros da tripulação que estavam na cabine morreram imediatamente, e o avião se deslocou no ar", detalhou o informe.

Os investigadores não excluíram que alguns passageiros estivessem conscientes durante os 90 segundos de duração da queda do avião.

;Barulho ensurdecedor;A reconstrução parcial da aeronave foi feita sobre uma armação em aço, na qual foram fixados os destroços coletados no local da queda, no leste da Ucrânia. Os restos do avião foram levados para a Holanda por via aérea e terrestre.

Sobre a fuselagem, retorcida em vários lugares, os investigadores marcaram os impactos em preto e em verde.

Na cabine, os assentos dos pilotos foram esmagados pelo míssil.

"É realmente estranho ver o local exato onde uma pessoa morreu instantaneamente", comentou um jornalista holandês, que estava a alguns centímetros das cadeiras.

O avião se deslocou antes de se chocar contra o solo.

"A parte de trás provavelmente colidiu antes do que a parte central", destacou Joustra.

"A parte central, onde também estavam os motores, bateu no solo ao contrário e pegou fogo", completou o diretor do OVV.

De acordo com o relatório, os 298 ocupantes foram confrontados com circunstâncias extremas: "o barulho ensurdecedor do impacto, acelerações e desacelerações bruscas, uma descompressão, a formação de vapor, um nível reduzido de oxigênio, frio extremo e objetos voando em todas as direções".

Esses elementos podem ter provocado a morte de alguns passageiros, enquanto que, nos outros, "provocaram, muito rapidamente, redução da consciência, ou inconsciência".

"É provável que os ocupantes mal tenham-se dado conta da situação", destacaram os investigadores.

"Não é possível determinar o momento exato da morte dos passageiros", concluiu o relatório, "mas é certo que ninguém poderia sobreviver a tal impacto contra o solo".