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Estado de Minas

Sul-coreanos viajam ao Norte para emotivo reencontro familiar

Os sul-coreanos, idosos, cruzaram a fronteira, fortemente militarizada, a bordo de ônibus precedidos por quatro carros da Cruz Vermelha


postado em 20/10/2015 11:04 / atualizado em 20/10/2015 11:04

Pai e filho se reencontram após mais de 60 anos separados pela guerra(foto: The Korea Press Photographers Association/AFP Photo/Pool)
Pai e filho se reencontram após mais de 60 anos separados pela guerra (foto: The Korea Press Photographers Association/AFP Photo/Pool)


Sockho, Coreia do Sul -
Cerca de 400 sul-coreanos cruzaram nesta terça-feira a fronteira com a Coreia do Norte para se reunir com seus parentes, a quem não viam há mais de 60 anos, em um incomum encontro entre famílias separadas pela guerra (1950-1953).

Os sul-coreanos, idosos, cruzaram a fronteira, fortemente militarizada, a bordo de ônibus precedidos por quatro carros da Cruz Vermelha. Depois de ultrapassar o posto fronteiriço, o comboio continuou em direção ao Monte Kumgang, para este encontro de três dias que estará carregado de emoções muito fortes.

As duas ambulâncias que acompanhavam o comboio eram um sinal da frágil saúde de muitos dos participantes. Mais de vinte passageiros estavam em cadeira de rodas, e uma mulher viajava inclusive com um cilindro de oxigênio.

Marido e mulher se reencontram após anos de família separada(foto: The Korea Press Photographers Association/AFP Photo/Pool)
Marido e mulher se reencontram após anos de família separada (foto: The Korea Press Photographers Association/AFP Photo/Pool)


"Não consegui dormir esta noite", afirmou Lee Joo-Kuk, de 82 anos, que utiliza uma etiqueta com seu nome, idade e o nome do irmão mais velho que o espera no Monte Kumgang. "Nossa família estava certa de que havia morrido. Inclusive todos os anos organizávamos cerimônias em memória dele", conta. "Depois soube que estava vivo e queria nos ver. É como se tivesse ressuscitado".

Kim Ok-Ja, de 72 anos, por sua vez, já não pode falar, mas ainda assim irá ver seu irmão mais velho, integrado à força ao exército norte-coreano em 1951, segundo seu marido, que viaja com ela.

Mulher reencontra irmão mais velho que foi separado dela durante a guerra(foto: The Korea Press Photographers Association/AFP Photo/Pool)
Mulher reencontra irmão mais velho que foi separado dela durante a guerra (foto: The Korea Press Photographers Association/AFP Photo/Pool)


O encontro entre famílias, que é apenas o segundo em cinco anos, foi decidido no fim de agosto como parte de um acordo que permitiu acalmar uma escalada entre o Norte e o Sul. Durante a guerra da Coreia, milhares de pessoas foram deslocadas, e no caos do conflito famílias inteiras - pais e filhos, maridos e esposas, irmãos e irmãs - foram separados.

Agora, mais de 65.000 sul-coreanos estão na lista de espera, com a esperança de poder viajar algum dia ao Norte. A grande maioria dos membros da geração da guerra morreu sem voltar a ter o menor contato com seus parentes do Norte comunista. Isso porque as comunicações fronteiriças diretas, seja em forma de cartas ou de chamadas telefônicas, estão proibidas.

Encontros ansiados, mas breves
O programa de reencontros familiares começou após uma cúpula bilateral histórica no ano 2000. A ideia original era organizar um encontro por ano, mas com as tensões regulares entre os dois Estados muitos foram cancelados, e por vezes as autoridades norte-coreanas não hesitaram em cancelá-los no último minuto.

Irmão reencontra irmã mais velha que foi separada dele durante a guerra(foto: The Korea Press Photographers Association/AFP Photo/Pool)
Irmão reencontra irmã mais velha que foi separada dele durante a guerra (foto: The Korea Press Photographers Association/AFP Photo/Pool)


Depois de décadas de espera, as reuniões serão muito rápidas. Durante três dias, os sul-coreanos verão seus parentes do Norte em seis ocasiões, de forma privada e publicamente.

Cada encontro durará apenas duas horas, o que significa que terão no total 12 horas após mais de 60 anos de separação. E para muitos dos participantes, octogenários ou inclusive nonagenários, a separação de quinta-feira terá o gosto amargo de um adeus definitivo.

Ilustrando o abismo econômico existente entre as duas Coreias, todas as famílias do Sul levavam diversos presentes, roupas, relógios, remédios, alimentos e em muitos casos milhares de dólares em dinheiro.

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Na última reunião, em fevereiro de 2012, alguns sul-coreanos se queixaram de que seus parentes do Norte se sentiram obrigados a pronunciar longos discursos políticos nos quais repetiam a propaganda oficial do regime comunista dos Kim.

Outros também disseram que os norte-coreanos pareciam mais interessados nos presentes do que no encontro em si ou em seu passado familiar.

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