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Ordem de restrição pode ter desencadeado massacre no Kansas

A imprensa local identificou o atirador como Cedric Ford, de 38 anos, que trabalhava como pintor na fábrica de cortador de grama onde ocorreu o tiroteio

Agência France-Presse
postado em 26/02/2016 16:02

No dia seguinte a um tiroteio que deixou três mortos e 14 feridos no estado de Kansas (centro dos Estados Unidos), os investigadores parecem ter identificado o fator que desencadeou a ação violenta, que terminou com o autor morto pela polícia: uma ordem de restrição.

"Há um motivo", noticiou nesta sexta-feira de manhã a rede de televisão local KWTV, afiliada da emissora nacional CBS, depois que um de seus jornalistas informou que acabara de se reunir com T. Walton, xerife do condado de Harvey.

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"Às 15H30 de ontem, o autor dos disparos recebeu uma ordem de restrição", afirmou o xerife durante coletiva de imprensa. "O tiroteio começou perto das 17 horas".

O homem tinha um fuzil automático e uma pistola semi-automática.

O xerife, cujas palavras foram citadas pela KWTV, também informou que 17 pessoas foram alvo dos disparos, três das quais morreram. Catorze pessoas permaneciam hospitalizadas na manhã desta sexta-feira. As vítimas foram escolhidas ao acaso.

A imprensa local identificou o atirador como Cedric Ford, de 38 anos, que trabalhava como pintor na fábrica de cortadores de grama Excel Industriesa, onde ocorreu o tiroteio. Foi ali que ele recebeu a ordem de restrição.

O empreendimento familiar está localizado em Hesston, uma pequena localidade de 3.700 habitantes, situada ao norte de Wichita, a maior cidade do Kansas.

Segundo a mídia, Ford tinha antecedentes criminais, incluindo por roubo e posse ilegal de armas, e havia chegado a pouco tempo de Miami (Flórida, sudeste).

Num primeiro momento, o atirador disparou contra dois motoristas a partir do seu veículo, roubando um furgão de uma das vítimas antes de dirigir até a fábrica para praticar o ataque.

Testemunhas relataram que o agressor atirou, primeiro, em uma mulher no estacionamento da Excel Industries, antes de entrar na área de montagem da empresa e abrir fogo, enquanto as pessoas fugiam em desespero. O homem foi morto pelo primeiro policial que chegou ao local.

As vítimas foram levadas para hospitais da região.

Matt Jarrel, também pintor na Excel, declarou à rede KSNW que se não tivesse visto o homem disparar, "jamais teria imaginado" que seu colega pudesse cometer um ataque deste tipo.

"Era uma pessoa simpática, que conversava com todo mundo", afirmou.

Após o tiroteio, a polícia tentou entrar em sua casa, mas seu coinquilino não permitiu, de modo que um mandado de busca foi necessário. A casa estava vazia, segundo KSNW.

Um homem que afirmou ser tio de uma das vítimas disse que o jovem, de 21 anos, recebeu quatro tiros nas costas. "Eu tinha ouvido falar de tiroteios em cinemas e em outros lugares (...), é horrível", declarou em referência a massacres em massa anteriores no país. "Este menino tinha tudo preparado", acrescentou.

O CEO da Excel Industries, Paul Mullet, disse que estava "muito triste com este episódio horrível", acrescentando que sua empresa iria ajudar as vítimas e suas famílias.

Este é o mais recente tiroteio em massa em um país onde ataques similares são rotineiros.

O anterior aconteceu no sábado, em Michigan (norte), e foi cometido por um motorista da empresa Uber, que matou seis pedestres.

Em 2 de dezembro, um casal americano de origem paquistanesa radicalizado matou 14 pessoas e feriu outras 22 em San Bernardino, Califórnia.

Nos Estados Unidos são registradas cerca de 30.000 mortes com armas de fogo a cada ano. Em 2015, foram 330 tiroteios em massa no país, o que corresponde a cerca de um por dia.

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