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Irã rejeita sentença na Justiça dos EUA de indenização pelo 11 de setembro

m tribunal de Nova York condenou o Irã, na semana passada, a pagar US$ 10,5 bilhões de indenizações por não ter provado que não ajudou os autores dos atentados cometidos pela Al-Qaeda

Agência France-Presse
postado em 14/03/2016 17:07

O Irã classificou de "ridículo" e "sem fundamento", nesta segunda-feira (14/3), o julgamento de um tribunal americano, o qual condenou o país a pagar mais de US$ 10 bilhões às vítimas dos atentados cometidos em 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Em função de uma ação apresentada por uma das vítimas, um tribunal de Nova York condenou o Irã, na semana passada, a pagar US$ 10,5 bilhões de indenizações por não ter provado que não ajudou os autores dos atentados cometidos pela Al-Qaeda.

"Esse processo é tão ridículo e sem fundamento (...) que ele mina mais do que nunca a credibilidade do sistema judiciário americano", declarou o porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Jaber Ansari, à emissora pública de televisão Irib.

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Segundo ele, "esses julgamentos enviam também esta mensagem muito perigosa aos terroristas e a seus apoiadores: matem livremente (...), porque, não apenas não vamos persegui-los, como teremos como alvo seus mais fortes inimigos em represália a seus crimes".

O porta-voz iraniano acusou "o governo americano de ser cúmplice desses veredictos".

Já o secretário-geral do Alto Conselho Iraniano para os Direitos Humanos, Mohammad Javad Larijani, considerou que "se alguém deve ser condenado pelo 11 de Setembro, são os aliados dos americanos na região que criaram as Al-Qaeda e a financiaram" - em uma referência clara, mas indireta, à Arábia Saudita.

A referência foi feita em um contexto de escalada regional entre o Irã xiita e o reino saudita, "líder" das monarquias sunitas no Golfo. Engajados em disputas de influência na região, esses países se acusam mutuamente de apoiar o terrorismo.

Os atentados do 11 de Setembro contra o World Trade Center, em Nova York, e contra o Pentágono, em Washington, foram reivindicados pela organização sunita Al-Qaeda, fundada por Osama bin Laden.

Filho de rica família saudita, Bin Laden foi considerado "persona non grata" pelo reino, em 1994, perdendo sua nacionalidade. Foi morto em 2 de maio de 2011 pelas Forças Especiais americanas, em sua residência em Abbottabad, no Paquistão.

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