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Estado de Minas

Fujimori e Pedro Pablo devem disputar segundo turno de eleições do Peru

Votação coincide com a derrocada da frágil esquerda no país, carente de um líder representativo


postado em 27/03/2016 08:00

 

 

A duas semanas das eleições gerais do Peru, a candidata Keiko Fujimori, do partido direitista Força Popular (FP), desponta como favorita na corrida presidencial. Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade, Keiko carrega o peso — positivo e negativo — do sobrenome. Seu principal adversário, Pedro Pablo Kuczynski, líder do partido Peruanos por el Kambio (PPK, sigla que replica o nome completo do candidato), é visto como o maior beneficiário de uma decisão do Júri Nacional de Eleições, que excluiu da disputa dois importantes presidenciáveis (leia abaixo). Apesar de Keiko manter vantagem confortável, pesquisas de intenção de voto indicam que a eleição deve ser decidida em segundo turno, quando Kuczynski teria chances reais de vitória.

Ao contrário de eleições sul-americanas recentes, a disputa peruana ocorre no momento em que o país lidera os rankings de crescimento econômico regional. A estabilidade política se mantém, apesar da baixa popularidade do presidente Ollanta Humala, no governo desde 2011. Humala chegou a ser chamado de “Hugo Chávez peruano”, mas migrou para o centro, tão logo chegou no poder. O militar reformado é exemplo da historicamente limitada força da esquerda no país, onde a maior parte dos candidatos se apresenta como centrista.

Diretor da Faculdade de Ciência Política da Universidade Antonio Ruiz de Montoya, Calos Fernández Fontenoy explica que “a inexistência de uma frente de esquerda reformista provocou um aumento dos votos em diversos candidatos, como Julio Guzmán, Keiko Fujimori e Alfredo Barrenecha”. O último, do partido Ação Popular (AP), assumiu o terceiro lugar na disputa, com quase 12% das intenções de voto, depois que a Justiça excluiu Guzmán da campanha. “Mais do que crescimento do pensamento conservador, o que existe é um espaço da esquerda e centro-esquerda que não tem um líder ou movimento que o materialize”, analisa Fontenoy.

Uma pesquisa recente, divulgada pela Companhia Peruana de Estudos de Mercado e Opinião Pública (CPI) mostra que, apesar de o apoio a Kuczynski ter apresentado evolução no último mês, Keiko mantém distância confortável na liderança. Segundo o levantamento, 37,6% dos eleitores planejam votar na candidata, enquanto Kuczynski tem o apoio de 15,3%. O maior desafio de Fujimori está no segundo turno. Levantamento realizado pelo El Comercio- Ipsos analisou as chances de vitória dos candidatos, caso a eleição não seja decidida no dia 10. Nesse cenário, Fujimori venceria — com pequena margem — Barnecha, terceiro colocado, e Verónika Mendoza, que aparece em quarto. A disputa seria mais acirrada se a primeira colocada enfrentasse Kuczynski. Nessa projeção, ele venceria a filha de Fujimori por 43% a 41%.

Fujimorismo
Descrita como representante de um “fujimorismo moderado”, Keiko, 40 anos, tenta chegar ao topo do Executivo pela segunda vez. Formada nos Estados Unidos e casada com um americano, ela defende o livre mercado e promete dar continuidade às políticas econômicas em andamento. Ao mesmo tempo, propõe programas sociais, prega o respeito aos direitos humanos e é a principal escolha entre as classes mais baixas. “Seu principal capital é a lembrança do governo do pai na derrota do Sendero Luminoso e do MRTA (Movimento Revolucionário Túpac Amaru)”, destaca Maria Milagros Campos, advogada e professora de ciência política da Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP). A especialista cita os dois grupos guerrilheiros combatidos pelo governo de Alberto Fujimori, que liderou o país entre 1990 e 2000.

Ligada à política desde a juventude, Keiko construiu carreira própria, mas parte do eleitorado foi herdado do pai. “Ela tem um ‘núcleo duro’ de votantes de aproximadamente 30%. É um eleitorado fiel ao pai, e em menor escala, a ela”, avalia Fontenoy. “Em um contexto como o atual, no qual os principais problemas da população são a delinquência e a violência, a identificação com a ordem é um de seus atrativos mais importantes”, completa.

Kuczynski, ex-ministro da Economia e das Finanças, também concluiu os estudos no exterior, onde passou a maior parte da vida. Chegou a adotar nacionalidade norte-americana. Visto por muitos como representante máximo da direita e dos interesses de grandes empresas, ele rejeita os rótulos e se diz “um homem de centro”. Em entrevista ao jornal local La República, afirmou não ser “o ogro capitalista que alguns querem pintar”. Em diferentes ocasiões, buscou defender que a disputa entre esquerda e direita não está entre as principais preocupações dos eleitores. O candidato, de 77 anos, trabalhou no Banco Mundial e no Banco Central do Peru, além de ter participado da junta diretora de diversas empresas.


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