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Governo de união da Líbia começa a estabelecer sua autoridade

O novo Executivo, apoiado pela ONU, chegou à capital do país na semana passada e obteve o apoio de instituições vitais, como o Banco Central, a Companhia Nacional de Petróleo e várias cidades do país

Agência France-Presse
postado em 06/04/2016 10:21
O governo de união nacional da Líbia começou a controlar nesta quarta-feira as contas das instituições públicas e a estabelecer sua autoridade, poucas horas depois do anúncio das autoridades não reconhecidas de Trípoli de que cederiam o poder.

Contudo, o chefe do governo não reconhecido, Khalifa Ghweil, afirmou nesta quarta-feira que não deixará o poder. Em um comunicado assinado por ele mesmo e postado no site de seu governo, Ghweil pede para que seus ministros não abandonem seus postos, ameaçando "qualquer um que trabalhar com o Conselho presidencial" do governo de união apoiado pela ONU.

O novo Executivo, apoiado pela ONU e liderado por Fayez al-Sarrakh, chegou à capital do país na semana passada e obteve o apoio de instituições vitais, como o Banco Central, a Companhia Nacional de Petróleo e várias cidades do país.

Com a renúncia das autoridades de Trípoli, agora a Líbia tem dois governos, ao invés de três: o de união nacional em Trípoli e outro no leste, que já recebeu o apelo da comunidade internacional para que também ceda o poder.

Para reforçar sua autoridade, o governo de união, que pediu a todas as instituições que comecem a utilizar seu logotipo, ordenou ao Banco Central que congele as contas de ministérios e instituições públicas, tanto em Trípoli como no leste, para controlar melhor os gastos.

No momento, os funcionários continuarão recebendo os salários.

O Banco Central em Trípoli já reconheceu o governo de união, um respaldo ao Executivo da instituição que administra os recursos financeiros e que até agora alimentava as contas dos governos rivais.

Desde a queda de Muamar Khadafi em 2011, a Líbia sofre com o caos e as milícias, uma situação agravada desde 2014 com a criação de governos rivais.

Aproveitando o cenário caótico, o grupo islamita Estado Islâmico (EI) se estabeleceu na cidade e na região de Sirte, ao leste de Trípoli.

Na terça-feira, o enviado da ONU para a Líbia, Martin Kobler, se reuniu com o líder do novo governo, Fayez al-Sarrakh, na base naval onde foram estabelecidos os escritórios do Legislativo.

Kobler elogiou a "coragem e a determinação" do governo de unidade.

"Queremos demonstrar que a ONU e a comunidade internacional apoiam o primeiro-ministro Sarrakh e os membros do conselho presidencial", disse à AFP.

"As Nações Unidas estão dispostas a proporcionar todo o apoio necessário para obter uma transferência de poder imediata e pacífica".

Na terça-feira, o diplomata alemão, que desde o ano passado coordena os esforços de paz no conflito líbio, percorreu as ruas do centro histórico de Trípoli, conversou com os proprietários de cafés e tirou selfies com os moradores.

Na frente diplomática, a Tunísia anunciou na segunda-feira a reabertura da embaixada em Trípoli, fechada em 2014, quando a cidade caiu sob controle da Fajr Lybia, uma coalizão de milícias.

A França também estuda o retorno ao país norte-africano. Mas, de acordo com a consultoria Soufan Group, "restam muitas dúvidas sobre o nível de apoio popular ao governo de unidade nacional, seja em Trípoli ou no leste".

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