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Jornalista morre em explosão de bomba em carro na Ucrânia

O jornalista, de 44 anos, conhecido por sua independência, se dirigia para a emissora de rádio quando o carro que dirigia explodiu



O procurador-geral ucraniano, Yuriy Lutsenk, denunciou no Facebook "um assassinato (...) provocado por um artefato explosivo", enquanto o ministro do Interior, Arsene Avakov, considerou que este insolente assassinato buscava desestabilizar o país. "Um artefato explosivo improvisado, talvez controlado à distância ou por um retardador, explodiu. Segundo a investigação preliminar, ele equivaleria a entre 400 e 600 gramas de TNT", disse no Facebook um conselheiro do ministro ucraniano do Interior, Zoryan Shkirya, ressaltando que todos os cenários são estudados.

Ataque recorrente a jornalistas
O Ukrainska Pravda, um meio de comunicação independente, foi criado no fim dos anos 1990. Seu fundador, Gueorgui Gongadzé, foi sequestrado em setembro de 2000 e encontrado dois meses depois, decapitado, em uma floresta a uma centena de quilômetros de Kiev. Sua cabeça foi achada nove meses depois e o jornalista acabou se convertendo em um símbolo da liberdade de imprensa na Ucrânia.

A redatora-chefe do Ukrainska Pravda, Sevguil Musaieva-Borovik, declarou à AFP que, segundo ela, a morte de Pavel Sheremet ocorreu devido "as suas atividades profissionais". "Por que assassinam jornalistas na Ucrânia? Alguém quer desestabilizar a situação do país ao fazer isso", acrescentou. O clima de instabilidade na Ucrânia já levou à morte de outros jornalistas no passado.

A Ucrânia enfrenta um conflito no leste separatista que deixou quase 9.500 mortos em mais de dois anos após o levante pró-europeu do Maidan, que provocou em fevereiro de 2014 a fuga do presidente pró-russo Viktor Yanukovich, substituído por um governo pró-ocidental.