Agência France-Presse
postado em 08/08/2016 11:22
Nairóbi, Quênia - Um tribunal de Nairóbi concedeu nesta segunda-feira (8/8) liberdade condicional a um comerciante de açúcar britânico acusado de traficar cocaína a partir do Brasil no valor de 5,8 milhões de dólares.A polícia de Mombaça (leste) encontrou uma carga de 100 quilos da droga escondida em um carregamento de açúcar pedido pela empresa do acusado, Jack Marrian, de 31 anos e que vive no leste da África desde criança. O magistrado Derrick Kuto impôs uma fiança de 690.614 dólares ao acusado, que também deverá entregar seu passaporte devido à gravidade da acusação, que pode custar a ele a prisão perpétua se for declarado culpado.
[SAIBAMAIS]Marrian será julgado junto a outro acusado queniano a partir de 3 de outubro. O advogado de Marrian, Sheetal Kapila, declarou à AFP que acreditava que o caso se devia ao desejo das autoridades "de fazer com que o Quênia deixe de ser um ponto de tráfico" de drogas, mas acrescentou que "estão acusando o homem errado".
"Alguém desconhecido colocou a droga dentro do pedido", disse Kapila. A cidade de Mombaça foi utilizada durante muito tempo como elo para os envios de drogas à Ásia e à Europa. A promotoria apelou da liberdade condicional afirmando que a investigação ainda não acabou e que Marrian poderia fugir.
O assunto provocou polêmica no Reino Unido pela origem aristocrática da mãe do acusado, lady Emma Clare Campbell of Cawdor, e porque Marrian estudou em escolas de elite, incluindo a universidade na qual a duquesa de Cambridge, Kate Middleton, estudou. As relações da família com o Quênia remontam a décadas, explicou o advogado, já que o avô de Marrian foi ministro do governo colonial pouco antes da independência do país, em 1963.