Publicidade

Correio Braziliense

Expulsas de seus lares, milhões de crianças enfrentam perigos e xenofobia

Relatório do Unicef alerta que 50 milhões de menores foram expulsos por conflitos em seus países de origem


postado em 08/09/2016 08:24


Enquanto você lê essa reportagem, provavelmente no conforto de sua casa, cerca de 50 milhões de crianças estarão fora de seus lares, após terem sido “desenraizadas” — 28 milhões delas foram expulsas pela guerra e pelos conflitos, para dentro de seus países ou para além das fronteiras. Pelo menos 10 milhões se tornaram refugiadas. A miséria e a violência cometida por gangues expulsaram 20 milhões de menores. Os números de crianças refugiadas desacompanhadas triplicou desde 2014. As estatísticas fazem parte do relatório Uprooted: The growing crisis for refugee and migrant children (“Desenraizados: A crise crescente para as crianças refugiadas e migrantes”, pela tradução livre), divulgado ontem, em Nova York, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

“Imagens indeléveis de crianças — o pequeno corpo de Alan Kurdi lavado em uma praia, após afogamento no mar, ou o rosto atordoado e sangrento de Omran Daqneesh enquanto ele se senta em uma ambulância, depois de ter a casa destruída — chocaram o mundo”, afirmou Anthony Lake, diretor executivo do Unicef. “Mas, cada imagem, cada garota ou garoto, representa milhões de crianças em perigo. Isso exige que nossa compaixão (por Alan e Omran) seja combinada com ação por todas as crianças.”

Não bastasse o trauma provocado pela guerra, meninos e meninas costumam enfrentar vários perigos durante o percurso até a vida nova: riscos de afogamento durante a travessia no Mediterrâneo, desnutrição, desidratação, sequestro, estupro, tráfico humano e assassinato. Nos países de destino, muitos se veem obrigados a conviver com a discriminação e a xenofobia.

“Onde está a humanidade? Isso é inaceitável! Se todos dermos as mãos, podemos ajudar essas crianças”, desabafou ao Correio a empresária Tima Kurdi, tia de Alan Kurdi. “Pessoas de todo o mundo, procurem os políticos, escrevam-lhes cartas, peçam-lhes que tomem ação. Se todos fizermos isso, viveremos em um mundo melhor e pacífico. Os nossos líderes têm que concordar uns com os outros, a fim de interromperem as guerras em todos os lugares.”

Leia mais notícias em Mundo

O relatório aponta que a Turquia, país onde Alan Kurdi encontrou a morte, abriga o maior número de crianças refugiadas no planeta. Segundo o estudo do Unicef, nos locais onde houve rotas legais e seguras de imigração, os menores receberam oportunidades de integrar-se às comunidades. Uma análise sobre o impacto da imigração em países desenvolvidos concluiu que os refugiados contribuíam mais com impostos e pagamentos sociais do que recebiam; preencheram lacunas em demandas de alta e baixa capacitação no mercado de trabalho; e ajudaram no crescimento econômico e na inovação.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade