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Estado de Minas

Fracasso do diálogo na Venezuela pode causar derramamento de sangue

Afirmação partiu do enviado do papa Francisco, arcebispo Claudio María Cell, ao jornal La Nación


postado em 05/11/2016 17:01 / atualizado em 05/11/2016 17:05

Um eventual fracasso do diálogo político entre governo e oposição na Venezuela, com o apoio do Vaticano, pode ocasionar derramamento de sangue, alertou neste sábado ao jornal argentino La Nación o enviado do papa Francisco, arcebispo Claudio María Celli.

"Se por caso uma delegação ou a outra quiserem acabar com o diálogo, não é o papa, mas o povo venezuelano que vai perder, porque o caminho poderá verdadeiramente ser o do sangue", disse o sacerdote.

As negociações entre governantes e opositores transcorrem com dificuldades que ameaçam uma rápida solução para a crise venezuelana. Os primeiros dias de trégua, com insultos e posturas irreconciliáveis em torno da saída do chavismo do poder complicam o panorama.


As partes conflitantes voltarão a se reunir em 11 de novembro. Em meio a uma grande crise interna, a oposição exige um referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro.

"Tem gente que não tem medo de que haja derramamento de sangue. Isto é o que me preocupa. (O papa) Francisco está desempenhando um papel muito forte. Corremos um risco. Vamos ver, que Deus nos ajude", pediu o arcebispo, em Roma, após retornar de uma visita a Caracas.

Celli disse que "é o povo venezuelano que se afunda mais". "Quando me reuni com os representantes da oposição, na manhã de segunda-feira, disse-lhes claramente: 'Meu medo é que haja mortos na manifestação de quinta-feira. E se houver mortos, o diálogo, que diálogo é esse?'. A oposição refletiu e, graças a Deus, suspenderam esta manifestação", relatou.

O enviado revelou que na primeira reunião com Maduro, o presidente lhe garantiu: "Prometi ao papa que vou dialogar e cumprirei minha promessa". Celli contou que na segunda reunião com o presidente, disse a Maduro: "Senhor presidente, esta manhã me encontrei com a oposição e há três pedidos. Deve dar sinais e estes não necessitam tempos bíblicos. Deve dar sinais de que o diálogo é o único caminho".

Consultado sobre como encontrou o país, respondeu que "não há dúvidas de que a situação está muito feia. Não somente em nível político, mas em nível social, econômico. Não há comida, não há medicamentos. É inegável que o país está enfrentando uma situação muito difícil".

Ao ser questionado sobre se o Vaticano considera a missão uma mediação, Celli respondeu que não. "A Santa Sé acompanha". "As partes compreendem que ou escolhem o caminho da violência ou escolhem o caminho do diálogo", declarou.

 

Por France Presse

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