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Próximo presidente dos EUA terá desafio de suceder o carismático Obama

Distribuição de forças no Congresso será crucial para definir os rumos do próximo governo


Miami ; No universo dos chefes de Estado, ele é o rei do carisma. Tira de letra entrevistas e discursos, canta, dança e conta piadas. Depois de Barack Obama ter cativado o eleitorado norte-americano com a inspiradora mensagem ;Sim, nós podemos;, o próximo morador do número 1.600 da Avenida Pensilvânia, em Washington, terá dificuldades, caso queira acompanhar o magnetismo do democrata. Enquanto Obama encerra seus oito anos de governo com cerca de 50% de aprovação entre os americanos ; pouco comum para o fim de dois mandatos consecutivos ;, quem quer que seja seu sucessor fará a mudança para a Casa Branca carregando na bagagem altos índices de rejeição.

Em meio a todas diferenças que os separam, a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump se convergem nos mais de 50% de norte-americanos que têm impressão negativa sobre ambos (veja o gráfico). Barbara Kellerman, diretora do Centro para Liderança Pública da Universidade de Harvard, observa que os altos índices de rejeição dos dois principais concorrentes à Casa Branca podem tornar o início de um novo governo mais complicado do que em anos anteriores.

Além da dificuldade em disseminar o espírito de trabalho em equipe por Washington e aprovar leis no Congresso, ela ressalta que os ataques destrutivos entre os candidatos durante a campanha podem continuar a ter efeito no início do próximo mandato. ;Isso rasga o corpo político americano e não está claro quão facilmente isso pode se recuperar;, pondera. ;Provavelmente, será mais fácil se o vencedor ganhar por uma margem grande. Se Hillary vencer por uma vantagem pequena, Trump pode alegar fraude.;

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Estilo próprio

Embora a candidata democrata seja vista como uma política tradicional, cujo estilo de liderança é conhecido por quem a acompanhou no Senado e à frente do Departamento de Estado, Kellerman avalia que, caso eleita, Hillary enfrentaria uma situação peculiar para diferenciar o seu governo dos oito anos de mandato de Obama. ;Trump ignoraria o antecessor e tomaria decisões contra ele. No entanto, Hillary teria um trabalho mais complicado, por suceder alguém a quem ela serviu como secretária e de quem é correligionária;, compara. ;Até estabelecer seu estilo de liderança e sua preferência política, Hillary terá de estar mais atenta ao estilo e às escolhas de Obama.;

Ainda que o carisma seja uma desejada arma para vencer uma eleição, essa virtude não é determinante para o sucesso de um governo, especialmente quando a implementação de políticas depende do Congresso. ;O alto grau de conflito partidário enfrentado por Obama tornou sua popularidade quase irrelevante;, lembra Robert Shapiro, professor de ciência política da Universidade de Colúmbia.

Legislativo


O analista recorda que, mesmo que o prestígio de Obama tenha ajudado no início de governo, o que realmente importou foi o controle dos democratas, tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados. A expectativa para a disputa pelas vagas do Congresso, que ocorre em paralelo à campanha presidencial, é de que os democratas recuperem a maioria no Senado por uma margem estreita. As esperanças de vantagem mais confortável e até de ampliação da bancada na Câmara dos Deputados têm aumentado à medida que as polêmicas de Trump respingam sobre os candidatos do Partido Republicano ao Legislativo.

Assim como Shapiro, Randy Kluver, professor de comunicação da Universidade do Texas A, crê que o período de transição tende a ser mais fácil para Hillary, graças à experiência da candidata, do que para Trump. ;Muitos funcionários de alto escalão do governo não vão querer trabalhar para ele. Além disso, suas promessas para a política externa são bastante diferentes, e levaria algum tempo para transformar as políticas ao seu redor;, argumenta. Kluver acredita que nenhum dos candidatos teria um mandato tão popular quanto o de Obama, e considera que ambos estariam ;seriamente aleijados; nesse quesito. ;Muitas pessoas pensam que, independentemente de quem vença, provavelmente o próximo presidente terá apenas um mandato;, vislumbra.

A repórter viajou a convite do Departamento de Estado norte-americano


;Até estabelecer seu estilo de liderança e sua preferência política, Hillary terá de estar mais atenta ao estilo e às escolhas de Obama;
Barbara Kellerman, diretora do Centro para Liderança Pública da Universidade de Harvard