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Correio Braziliense

Por dentro de Auschwitz, o campo de concentração libertado há 72 anos

A pequena cidade de Oswiecim, ou Auschwitz, nome alemão pelo qual é conhecida, mantém parte da história de atrocidades cometidas contra a humanidade. Seus campos de concentração ainda dão uma dimensão do terror do holocausto


postado em 27/01/2017 16:53 / atualizado em 27/01/2017 17:20

Em Auschwitz I, o portão de entrada preserva os dizeres
Em Auschwitz I, o portão de entrada preserva os dizeres "o trabalho liberta", escritos em alemão, em letras de ferro fundido (foto: Renato Alves/CB/D.A Press)

Há 72 anos, em 27 de janeiro de 1945, o Exército Vermelho libertou Auschwitz, o maior e mais terrível campo de extermínio dos nazistas. Em suas câmaras de gás e crematórios foram mortas pelo menos um milhão de pessoas.

No auge do Holocausto, em 1944, eram assassinadas seis mil pessoas por dia. Auschwitz tornou-se sinônimo do genocídio de judeus, sintos e roma e tantos outros grupos perseguidos pelos nazistas.

As tropas soviéticas chegaram a Auschwitz, hoje Polônia, na tarde de 27 de janeiro de 1945, um sábado. A forte resistência dos soldados alemães causou um saldo de 231 mortos entre os soviéticos. Oito mil prisioneiros foram libertados, a maioria em situação deplorável devido ao martírio que enfrentaram.

 

Placa alerta para o perigo da cerca eletrificada no campo de concentração de Auschwitz(foto: Renato Alves/CB/D.A Press )
Placa alerta para o perigo da cerca eletrificada no campo de concentração de Auschwitz (foto: Renato Alves/CB/D.A Press )
 

Distante 75km de Cracóvia, a pequena cidade de Oswiecim, ou Auschwitz — nome alemão pelo qual é conhecida –, mantém preservada uma parte da história de atrocidades cometidas contra a humanidade. Seus campos de concentração, que levam seu nome (Auschwitz II também é conhecido como Birkenau), ainda conseguem dar uma dimensão do terror do holocausto.

Um passeio pelos alojamentos, rodeados por guaritas e cercas de arame farpado, é deprimente, mas essencial para entender um dos episódios mais repugnantes da história da humanidade.

Em Auschwitz I, o portão de entrada preserva os dizeres “O trabalho liberta”, escritos em alemão, em letras de ferro fundido. Mas a liberdade era morte certa, pelos meios mais cruéis, inimagináveis. Muitos que ali chegavam, eram recebidos c om música, tocada por uma banda formada por outros prisioneiros. Uma forma dos alemães enganarem as vítimas, de mantê-las calmas, até serem encaminhadas à morte.

 

Fornos onde prisioneiros eram cremados após serem mortos nas câmaras de gás (foto: Renato Alves/CB/D.A Press)
Fornos onde prisioneiros eram cremados após serem mortos nas câmaras de gás (foto: Renato Alves/CB/D.A Press)

Alguns de seus pavilhões, celas e câmaras de gás, hoje organizam-se como museus. Entre os objetos em exposição, roupas, óculos, sapatos e até cabelo dos prisioneiros, a maioria judeus. Milhares de latinhas de produto tóxico usadas nos crematórios também estão expostas.

Os arquivos com os dados dos prisioneiros permanecem rigorosamente organizados, uma característica dos nazistas. Tudo isso impressiona, mas são as fotografias dos presos em Auschwitz o que realmente dimensiona a crueldade do campo de extermínio.Durante todo o trajeto, algumas regras são impostas aos turistas, como não falar alto, não comer ou beber e em alguns locais não fotografar. Uma forma de respeitar a memória das vítimas.


Placa em alemão advertia prisioneiros no campo de concentração de Auschwitz(foto: Renato Alves/CB/D.A Press )
Placa em alemão advertia prisioneiros no campo de concentração de Auschwitz (foto: Renato Alves/CB/D.A Press )

Embora Birkenau não tenha o mesmo acervo de Auschwitz, o imenso campo de concentração choca pelo tamanho e também deve ser visitado. Parte dos trilhos e um vagão dos trens que levavam os prisioneiros até os campos de concentração permanecem no local.

 

Flores deixadas por visitantes no muro onde prisioneiros eram executados a tiros (foto: Renato Alves/CB/D.A Press )
Flores deixadas por visitantes no muro onde prisioneiros eram executados a tiros (foto: Renato Alves/CB/D.A Press )
 

Passeios guiados


Para chegar aos campos de concentração, hoje, várias excursões saem o dia todo de Cracóvia. Transporte público também dá acesso a Auschwitz, mas para visitar os campos é obrigatório o acompanhamento de guias. Em Auschwitz I, eles podem ser contratados e contam as histórias dos campos em diferentes idiomas.

Ponto final da linha férrea, em Birkenau, que trazia prisioneiros de toda a Europa para o campo de concentração(foto: Renato Alves/CB/D.A Press )
Ponto final da linha férrea, em Birkenau, que trazia prisioneiros de toda a Europa para o campo de concentração (foto: Renato Alves/CB/D.A Press )

Para saber mais


Extermínio em massa


Maior símbolo do holocausto perpetrado pelo nazismo na Segunda Guerra Mundial, Auschwitz-Birkenau é uma rede de campos de concentração construídos e operados pelo Terceiro Reich no Sul da Polônia, durante a ocupação nazista.

A partir de 1940, o governo de Adolf Hitler construiu vários campos de concentração e um campo de extermínio nesta área. A alegação para a sua construção foi o fato de que as prisões em massa de judeus, especialmente poloneses, por toda a Europa que ia sendo conquistada pelas tropas nazistas, excediam em grande número a capacidade das prisões convencionais.

Após a guerra, em julgamento, o primeiro comandante alemão, Rudolf Höss, testemunhou que mais de 3 milhões de pessoas morreram em Auschwitz-Birkenau, sendo 2,5 milhões gaseificadas e 500 mil de fome e doenças.

Hoje em dia, os números mais aceitos são em torno de 1,3 milhão, sendo 90% deles de judeus. Outros deportados para Auschwitz e executados foram 150 mil poloneses, 23 mil ciganos romenos, 15 mil prisioneiros de guerra soviéticos, cerca de 400 Testemunhas de Jeová e dezenas de milhares de pessoas de diversas nacionalidades.

Quem não era executado nas câmaras de gás morria de fome, doenças infeciosas, trabalhos forçados, execuções individuais ou em experiências médicas.

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