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Venezuela ataca relatório da ONU sobre violação dos direitos humanos

Segundo Caracas, trata-se de um "pseudorrelatório" baseado em "opiniões recolhidas em entrevistas realizadas por uma autodenominada 'equipe de especialistas'"

O governo venezuelano qualificou de mentiroso o relatório das Nações Unidas que acusa as forças de segurança e a milícia chavista pela morte de ao menos 73 pessoas durante os protestos contra o presidente Nicolás Maduro nos últimos quatro meses.
"É reprovável eticamente que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (...) apresente semelhante mentira ao mundo como conclusões" de um organismo mundial, assinalou a chancelaria em Caracas nesta quarta-feira.

Segundo Caracas, trata-se de um "pseudorrelatório" baseado em "opiniões recolhidas em entrevistas realizadas por uma autodenominada ;equipe de especialistas;", que ignora as informações entregues por Caracas que revelam "a responsabilidade" da oposição nos atos de violência.

[SAIBAMAIS]Para o governo venezuelano, o relatório do alto comissário Zeid Ra;ad al Hussein revela que a "instrumentalização" desta agência da ONU "para agredir a Venezuela (...) no que, lamentavelmente, se tornou um penoso costume".

Na terça-feira (7/8), o Alto Comissariado denunciou o "uso generalizado e sistemático da força excessiva", assim como de "torturas", durante os protestos na Venezuela. Também responsabilizou as forças de segurança e as milícias pró-governo pela morte de pelo menos 73 manifestantes.

Ainda segundo o relatório, milhares de pessoas foram detidas arbitrariamente. Muitas delas foram vítimas de maus-tratos e inclusive de torturas".

Como as autoridades da Venezuela vetaram o acesso dos investigadores da ONU ao país, Zeid solicitou a uma equipe de especialistas em direitos humanos que fizesse 135 entrevistas a distância com vítimas e familiares, além de testemunhas, jornalistas, advogados, médicos e um funcionário da Procuradoria Geral.