O líder norte-coreano, Kim Jong-Un, advertiu em seu discurso de Ano Novo que tem um botão nuclear em seu gabinete, mas ao mesmo tempo estendeu a mão ao sul, ao afirmar que Pyongyang poderá enviar sua equipe aos Jogos de Inverno. Seul respondeu propondo a realização de discussões de alto nível em Panmunjom no dia 9 de janeiro, pela primeira vez em dois anos.
As duas Coreias restabeleceram posteriormente sua conexão telefônica, suspensa desde 2016. Em outra demonstração de apaziguamento, os presidentes sul-coreano, Moon Jae-In, e americano, Donald Trump, concordaram em adiar os exercícios militares conjuntos previstos para após os Jogos de Inverno.
Olimpíadas da Paz
Os temores de uma intensificação do conflito aumentaram no ano passado, quando Kim e Trump trocaram insultos pessoais e ameaças bélicas. O presidente americano respondeu à mensagem de Ano Novo do colega norte-coreano dizendo, em um tuíte, que seu "botão nuclear era muito maior e mais poderoso", o que gerou alarme entre os analistas.
As preocupações em torno da Coreia do Norte ofuscaram os Jogos de Inverno, que Seul e os organizadores declararam as "Olimpíadas da Paz", ao pedir a Pyongyang que participasse, ao contrário do que se fez nos Jogos de Seul de 1988.
A tensão sempre aumenta durante os exercícios militares anuais, que Pyongyang considera uma preparação para a invasão e aos quais costuma responder com provocações. Tanto a Rússia como a China afirmam que esse treinamento aumenta a tensão na região.
O objetivo do adiamento dos exercícios é que "as forças dos Estados Unidos e da República da Coreia possam centrar-se na segurança dos Jogos", afirmou a Casa Branca em um comunicado.
O secretário de Defesa americano, Jim Mattis, insiste que o adiamento se deve mais a motivos práticos que políticos, fazendo referência à importância dos Jogos para a indústria do turismo na Coreia do Sul, mas assegurando que Washington não reduzirá sua pressão sobre Pyongyang em outros âmbito.s