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Correio Braziliense

Morre aos 83 anos o príncipe consorte da Dinamarca

Com uma vida regada de polêmicas por nunca ter obtido o título de rei, o príncipe Henrik foi diagnosticado com demência no ano passado


postado em 14/02/2018 09:11 / atualizado em 14/02/2018 09:32

Estocolmo, Suécia - O príncipe Henrik da Dinamarca, um aristocrata francês que era fã de vinho e poesia, morreu nessa terça-feira (13/2) aos 83 anos. O príncipe era casado com a rainha Margrethe II, mas nunca chegou a usar a coroa.

"Sua Alteza Real, o príncipe Henrik morreu na terça-feira 13 de fevereiro às 23h18 no castelo de Fredensborg", residência oficial que fica a 40 quilômetros da capital dinamarquesa, informou a Casa Real. Segundo o comunicado, o príncipe havia sido levado para casa, para " "viver seus últimos momentos".
 
Em setembro do ano passado, a Casa Real dinamarquesa anunciou que o príncipe consorte sofria de demência. No momento da morte, ele estava acompanhado pela esposa e os dois filhos. 

Nascido em 11 de junho de 1934 em Talence, na região de Bordeaux (sudoeste da França), Henri Marie Jean André de Laborde de Monpezat se casou em junho de 1967 com a herdeira do trono da Dinamarca, Margrethe, que foi coroada em janeiro 1972.

Desde 1º de janeiro de 2016, o príncipe consorte estava oficialmente aposentado, liberado das obrigações que cumpria com maior ou menor entusiasmo, de acordo com seu humor, marcado pelo desgosto de nunca ter recebido o título de rei.

Polêmicas 

Após uma vida marcada pela polêmica, em 2017 informou publicamente que não desejava ser enterrado ao lado da esposa na necrópole real da catedral de Roskilde, como é tradição nos casais reais.

Por não ter obtido o título e o papel que sempre almejou, alegava que não havia sido tratado como seu igual em vida e que, portanto, não desejava tal tratamento na morte.

Henri passou o primeiros anos de vida na Indochina, onde seu pai administrava as plantações da família. A guerra os expulsou definitivamente do Vietnã, mas Henri voltou posteriormente a Hanói para passar em seu exame de bacharelado.

Depois de estudar Ciências Políticas ele abraçou a carreira diplomática. Tinha um cargo em Londres quando conheceu Margrethe, então herdeira da coroa dinamarquesa.

Após o casamento, mudou de nome, renunciou à nacionalidade francesa e se naturalizou dinamarquês e trocou o catolicismo pelo protestantismo. Mas, sobretudo, permaneceu resignado, a contragosto, a ficar atrás de Margrethe, adorada por seus súditos.

"Aceito jogar o jogo. Mas é muito duro para um homem não ser considerado no mesmo plano que sua esposa", admitiu em suas memórias, "O destino obriga", publicadas em 1997.

"Tudo o que fazia era criticado. Meu dinamarquês era fraco. Preferia o vinho à cerveja, meias de seda e não de lã, carros Citroën aos Volvo, o tênis ao futebol. Era diferente", afirmou.

Em 1984, 12 anos depois da chegada ao trono de sua esposa, recebeu a própria remuneração, deduzida do orçamento da rainha.

Treze anos depois substituiu pela primeira vez a soberana, enferma, durante uma visita a Groenlândia.

Em 2002, um novo drama: a rainha Margrethe, abalada por uma gripe, pediu ao príncipe herdeiro, Frederik, que a substituísse na leitura da mensagem de Ano Novo.

Sem pensar duas vezes, o príncipe consorte abandonou Copenhague furioso e seguiu para o Castelo de Cayx, sua propriedade no sul da França.

Henrik, que também era escultor, publicou vários livros de poemas, alguns deles ilustrados pela própria Margrethe, uma artista respeitada.

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