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Correio Braziliense

China comemora Ano do Cachorro sem rojões e fogos de artifício

O costume, destinado a fazer ruído para afastar os maus espíritos, está na mira das autoridades, que querem acabar com as emissões poluentes durante o inverno


postado em 16/02/2018 12:02 / atualizado em 16/02/2018 12:55

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Dando um trato no pelo (foto: ISAAC LAWRENCE / AFP )

 
Pequim, China - Pequim iniciou nesta sexta-feira (16/2) o Ano do Cachorro em silêncio, sem as habituais pirotecnias ou fogos de artifício espetaculares, uma velha tradição estritamente proibida agora pelas autoridades em nome da luta contra a poluição.

Dessa forma, na noite do Ano Novo Lunar a capital chinesa parecerá uma cidade morta. "Sem os fogos, a magia do Ano Novo desapareceu", lamenta Zhu, um operário originário da vizinha Hebei.

O contraste é óbvio em relação aos anos anteriores, quando os habitantes de Pequim acendiam rojões vermelhos e os fogos de artifício iluminavam incessantemente o céu, em meio a um barulho ensurdecedor e espessas nuvens de fumaça.

Mas este costume, destinado a fazer ruído para afastar os maus espíritos, está na mira das autoridades, que querem acabar com as emissões poluentes durante o inverno.

Cerca de 450 cidades chinesas estão proibidas desde o ano passado de usar rojões e fogos de artifício. Uma norma adotada em dezembro agora proíbe qualquer pirotecnia em Pequim. Além disso, a municipalidade endureceu a repressão contra os vendedores, que foram obrigados a se deslocar para as periferias.

Nostalgia

A transição foi traumático. "Há apenas dois anos, podíamos acender rojões, um espetáculo excepcional", comenta Zhu. "Quando eu era crianças, tudo era muito mais divertido!", exclama.

"Além da poluição, tem a fumaça que impede de respirar. Também tem os fogos de má qualidade. Já vi uma criança de 8 anos perder o dedo por causa disso", explica Dong, um dos encarregados de vigiar o centro da cidade para interceptar as pessoas ou vendedores que tentem burlar a lei.

Outro objetivo das autoridades é evitar o vários acidentes que acontecem durante as estas festividades.

Zhang, uma jovem estudante, se declarada dividido entre sua preocupação com o meio ambiente e suas recordações de infância, quando observava maravilhado os fogos de artifício lançados do Estádio dos Trabalhadores."Era magnífico, mas todos os anos havia incêndios em Pequim", ressalta.

Céu azul

Os chineses têm o costume de usar rojões nas grandes ocasiões, como casamentos. "Sempre disparava, mas os tempos mudaram e a qualidade do ar é o mais importante para nós", se resigna Wang, outro morador.

O governo lançou uma ampla campanha para restringir a poluição no inverno, fechando várias fábricas e proibindo a calefação com carvão em várias regiões.

Agora a questão é lutar contra a fumaça e os resíduos dos fogos de Ano Novo.E o objetivo foi alcançado: nesta sexta-feira o céu de Pequim estava azul e límpido.

No Ano Novo de 2017, a cidade registrou uma concentração de partículas finas (PM2,5), as mais perigosas, 26 vezes superior ao máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A nova lei conta com a aprovação de Zhu Ye, que não gostava de sair de casa por causa do barulho dos fogos, que a incomodava e causava medo aos animais.Este ano, ela vai aproveitar a calma inusual para passear com seu cachorrinho, Pequeno Tesouro.

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