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Correio Braziliense

Israel realiza novos bombardeios na Faixa de Gaza

No último fim de semana a Faixa de Gaza foi cenário de um dos maiores surtos de violência desde 2014


postado em 19/02/2018 13:28

Esses confrontos reavivaram o temor de que a situação se deteriore novamente(foto: Said Khatib / AFP)
Esses confrontos reavivaram o temor de que a situação se deteriore novamente (foto: Said Khatib / AFP)
Gaza, Territórios palestinos - Aviões de guerra israelenses realizaram novos ataques na madrugada desta segunda-feira (19/2) na Faixa de Gaza, onde a tensão foi reduzida, mas sem dissipar todo o fantasma de um novo confronto.

A aviação israelense atacou instalações subterrâneas no sul do território do movimento palestino Hamas, afirmou em um comunicado.

Israel respondeu assim ao disparo de um foguete lançado no domingo à noite a partir da Faixa de Gaza - o segundo em 24 horas - e que caiu sem causar vítimas nas proximidades de Sderot, cidade israelense perto do enclave palestino.

O exército de Israel manteve sua política de resposta sistemática a qualquer intervenção hostil a partir dos territórios palestinos, onde travou três guerras contra o Hamas e grupos armados palestinos aliados desde 2008.

Israel usará "todos os meios à sua disposição" para garantir a segurança de seus cidadãos", afirmou a fonte militar.

O frágil cessar-fogo em ambos os lados da fronteira entre Israel e Gaza é regularmente afetado por disparos de foguete e a resposta subsequente de Israel em todas as oportunidades.

Intermédio egípcio

A Faixa de Gaza, localizada entre Israel, o Egito e o Mar Mediterrâneo, foi palco no último fim de semana de um dos maiores surtos de violência desde a devastadora guerra de 2014.

Quatro soldados israelenses foram feridos no sábado, dois deles seriamente, pela explosão de um artefato enquanto patrulhavam a área perto da barreira entre Israel e o enclave palestino, de acordo com uma declaração do exército.

Em retaliação, aviões e tanques israelenses bombardearam 18 posições do Hamas. Dois adolescentes palestinos foram mortos por tiros israelenses perto da fronteira.

Esses confrontos reavivaram o temor, sempre presente, de que a situação se deteriore novamente a um nível que, por enquanto, parece que nenhuma das partes deseja.

Os grupos armados estão "perfeitamente preparados" para enfrentar a situação, declarou Mahmud Zahar, membro da direção do Hamas, no site Al Rissala. Mas "a resistência não quer gastar sua energia nesta escalada", acrescentou.

O Hamas transmitiu a mensagem para o seu vizinho egípcio de que não busca a dianteira  em uma eventual escalada da violência, afirmou uma pessoa próxima ao movimento à AFP.

O Egito, um dos únicos países árabes que têm relações com Israel, atua com frequência como intermediário com os palestinos.

O Hamas pediu ao Cairo que pressionasse Israel a encerrar seus ataques, o que pode significar que a ala armada do movimento está "perdendo a paciência", acrescentou, sob condição de anonimato.

Ajustes de contas 

A explosão que feriu os quatro soldados foi o golpe mais duro sofrido pelo exército israelense desde 2014. Desde então, dezenas de palestinos foram mortos em manifestações perto da fronteira ou em ataques aéreos israelenses.

Os Comitês de Resistência Popular, uma organização armada um tanto nebulosa que reúne elementos de diferentes grupos nacionalistas, como os islamistas, reivindicaram o que eles chamaram de "ato heroico".

As ações belicosas que periodicamente minam o cessar-fogo são frequentemente atribuídas aos concorrentes do Hamas, incluindo os salafistas. Mas, como aconteceu nos últimos dias, Israel aponta o Hamas por todas as agressões do enclave sob sua autoridade.

"O Hamas está tentando minar nossa firmeza", disse o ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, no domingo, em declarações postadas no site de notícias Ynet.

A situação humanitária e econômica no enclave reforça a pressão sobre o Hamas e o medo de um novo confronto.

As advertências se multiplicam diante da deterioração das condições de vida no território, causadas pelas guerras, a pobreza, o desemprego, os bloqueios israelense e egípcio e a falta de eletricidade, água e medicamentos.

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