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Correio Braziliense

Trump diz que decisão de armar professores cabe aos governos estaduais

Durante a semana, Trump defendeu que armar alguns professores treinados poderia reduzir ataques a escolas


postado em 24/02/2018 20:47 / atualizado em 24/02/2018 20:52

 

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou no Twitter neste sábado que armar professores para combater a violência nas escolas - uma ideia que ele vinha defendendo nos últimos dias - é uma decisão que cabe aos estados. Nesta semana, Trump promoveu a ideia de armar professores e auxiliares para proteger os estudantes, após um ex-aluno de uma escola de ensino médio em Parkland, na Flórida, ter disparado contra alunos e funcionários, matando 17 pessoas no dia 14 de fevereiro.

Trump disse que professores que se candidatassem a portar armas deveriam ter treinamento anual e receber um bônus. O presidente também defendeu verificações mais rigorosas para quem deseja comprar armas e o aumento da idade mínima para a compra de fuzis de assalto.

Havia expectativa de que Trump fosse propor uma legislação federal sobre o porte de armas por professores, mas essa impressão foi desfeita após a publicação no Twitter. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido para comentar a publicação.

A Casa Branca ainda precisa apresentar um plano completo para abordar a questão da violência nas escolas, após a comoção causada pelas mortes na Flórida. Trump disse no Twitter que armar educadores e pagar seus bônus teriam um custo bastante baixo.

Educadores e autoridades policiais se opõem à ideia, mas vários Estados estão considerando armar seus professores.

Trump passou várias horas esta semana ouvindo apelos emocionados de pais e estudantes, incluindo alguns sobreviventes do ataque em Parkland e outros que perderam seus filhos em circunstâncias semelhantes em Connecticut e Colorado. Ele também pediu a opinião de autoridades estaduais e locais.

Trump e o vice-presidente Mike Pence disseram que a segurança nas escolas será um dos principais assuntos na agenda quando eles se reunirem com os governadores do país na semana que vem.

 

Pressão sobre fabricantes

 

Apontados como um dos culpados pelo massacre com um fuzil de assalto que deixou 17 mortos em uma escola de Ensino Médio na Flórida, os fabricantes de armas americanos - já enfrentando uma difícil situação financeira - começam a sofrer a desconfiança das grandes empresas que começaram a se afastar.

 

Pressionadas nas redes sociais, as empresas de aluguel de automóveis Hertz e Enterprise, as companhias de seguros Metlife e Chubb e a empresa de segurança em informática Symantec desistiram de permanecer associadas à NRA, o poderoso lobby das armas nos Estados Unidos.

 

Na sexta-feira (23), essas empresas puseram fim, oficialmente, às suas respectivas alianças. Na maioria dos casos, essas parcerias consistiam em dar vantagens aos membros da NRA que quisessem, por exemplo, alugar um carro, ou contratar um seguro específico.

 

"As reações dos clientes nos estimularam a rever nossas relações com a NRA", explicou em sua conta no Twitter o First National Bank of Omaha, um dos maiores emissores de cartões de crédito dos Estados Unidos.

 

Neste sábado, as companhias aéreas Delta Air Lines e United Airlines anunciaram no Twitter o fim dos descontos para membros da NRA e, em seus respectivos comunicados, pediram ao lobby das armas que retirasse de sua página institucional as informações sobre tarifas preferenciais.

 

Um dos maiores bancos dos Estados Unidos, o Bank of America anunciou que vai rever suas relações com os fabricantes de armas.

 

"Nos somamos a outros grupos do nosso setor para ver o que podemos fazer para pôr fim à tragédia desses tiroteios assassinos", disse o banco à AFP, explicando que "entrará em contato com o número limitado de clientes que fabricam fuzis de assalto de uso não militar para ver como podem colaborar nessa responsabilidade compartilhada".

 

Na sexta-feira, a hashtag #BoycottNRA foi um dos tópicos do momento no Twitter.

 

"Há muitas reações hostis" em relação à indústria das armas, comenta Jeff Pistole, um vendedor de armas do Arkansas (sul dos EUA), em conversa com a AFP.

 

"No início, (os fabricantes) diziam: 'com Trump como presidente, não temos com o que nos preocupar'", disse Pistole, referindo-se ao endurecimento da regulação sobre posse e porte de armas.

 

Em sua campanha à Presidência, em 2016, Trump recebeu US$ 30 milhões da NRA e é um ferrenho defensor do direito constitucional ao porte de armas.

 

Segundo Pistole, a dinâmica mudou, porém, após o tiroteio em 14 de fevereiro último na escola de Parkland, na Flórida. A maioria dos 17 mortos era adolescente.

 

Tradicionalmente, depois de um tiroteio, a venda de armas aumentava nos Estados Unidos pelo temor de seus adeptos de uma restrição da regulação, conta o vendedor, acrescentando que, em um segundo momento, a demanda cai, já que as condenações políticas não são seguidas de medidas concretas.

 

Desta vez, porém, alguns dos alunos sobreviventes da tragédia se tornaram, em pouquíssimos dias, figuras de um movimento nacional espontâneo que pede aos congressistas o endurecimento das leis sobre as armas pessoais.

 

Sob pressão, Trump pediu ao Departamento de Justiça que melhore as verificações dos antecedentes psiquiátricos e criminais dos compradores de armas de fogo e se declarou a favor do aumento da idade legal para compra de algumas armas para 21 anos. O agressor da Flórida tinha 19. 

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