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Correio Braziliense

Partido social-democrata alemão aprova aliança com Angela Merkel

Este quarto mandato de chanceler, e provavelmente o último de acordo com os observadores, anuncia-se muito mais delicado do que os anteriores


postado em 04/03/2018 08:12 / atualizado em 04/03/2018 12:34

(foto: John Macdougall/AFP)
(foto: John Macdougall/AFP)

 
Berlim, Alemanha - Os membros do partido social-democrata alemão aprovaram por ampla maioria uma aliança com Angela Merkel, que poderá finalmente formar seu governo mais de cinco meses após as legislativas que a enfraqueceram. A chanceler comemorou, neste domingo (4/3), o resultado da votação interna do SPD. "Estou satisfeita com o prosseguimento da nossa colaboração pelo bem do nosso país", reagiu em um tuíte postado pelo seu partido conservador.

Este quarto mandato de chanceler, e provavelmente o último de acordo com os observadores, anuncia-se muito mais delicado do que os anteriores. A coalizão entre social-democratas e conservadores mantém apenas uma pequena maioria no Bundestag (53,5%), após as eleições gerais de 24 de setembro, marcadas por um avanço histórico da extrema direita (AfD) e uma erosão dos partidos tradicionais, incluindo a CDU/CSU de Merkel.

É neste contexto e depois de semanas de procrastinação que os militantes do SPD aprovaram a renovação da grande coalizão em fim de mandato - GroKo em alemão - por 66,02% dos votos, em um referendo interno que contou com a participação de 78,4% dos 463 mil membros do SPD, de acordo com os resultados oficiais anunciados esta manhã.

Razão

"Agora as coisas estão claras: o SPD participará no próximo governo", declarou seu chefe interino, Olaf Scholz, à imprensa. Mas, ilustrando as hesitações em suas fileiras, ele chamou o resultado de "um ato de razão". A liderança do partido havia negociado um acordo com a chanceler em fevereiro, e os membros do partido mais antigo da Alemanha tiveram que aprová-lo em um ambiente de profundas divisões internas. "Eu informei o presidente (Frank-Walter Steinmeier) e a chanceler deste resultado", disse Scholz.

Merkel, que governa a Alemanha há 12 anos, deverá ser oficialmente eleita presidente dos deputados em meados de março, provavelmente no dia 14. Mas em um sinal de desconfiança recíproca entre SPD e CDU/CSU, os social-democratas negociaram uma cláusula de saída de sua aliança após dois anos.

A chanceler de 63 anos nunca foi tão criticada dentro de seu partido, que ela lidera há cerca de duas décadas. Especialmente desde que cedeu ao SPD o ministério das Finanças, pasta tradicional dos conservadores, muito apegados à austeridade fiscal, durante as negociações sobre o contrato governamental.

Vários líderes do Partido Democrata Cristão questionaram abertamente a linha centrista defendida por Angela Merkel e sua política de migração de longo prazo que viu a chegada desde 2015 de mais de um milhão de requerentes de asilo. Essas posições alimentaram, de acordo com eles, o avanço da extrema direita, e passaram a  exigir uma curva à direita.

Neste contexto, ela impôs uma pessoa próxima - e potencial sucessora à Chancelaria -, Annegret Kramp-Karrenbauer, como secretária-geral da CDU com a missão de centrar as fileiras. E convocou para o ministério da Saúde seu principal detrator, o jovem e ambicioso Jens Spahn, afim de neutralizar sua influência, pelo menos por enquanto.

Alívio

Apesar de tudo, o advento de um executivo estável na Alemanha é susceptível de aliviar a situação não só o país, mas também na Europa, abalada pela crise do Brexit e pelo avanço dos nacionalismos. Em seu contrato governamental, os dois parceiros colocaram a reforma da União Europeia no cerne das suas prioridades.

O SPD, caindo nas pesquisas devido a brigas internas, teria preferido passar à oposição após uma pontuação historicamente baixa nas eleições (20,5%). Mas o fracasso das negociações governamentais entre conservadores, ambientalistas e liberais em novembro mudou o cenário.

A decisão de participar deste novo governo "não foi fácil", reconheceu Olaf Scholz neste domingo. Para os jovens socialistas, que lideraram uma campanha ativa contra o "Groko", o resultado é "uma decepção", reagiu seu líder Kevin Kühnert em um tuíte, prometendo contribuir para a renovação do partido.

As recentes pesquisas que apontam que o partido está lado a lado com a extrema direita fizeram parecer um novo "Groko" um mal menor para a maioria dos membros do partido. Especialmente depois que o SPD e seu ex-líder deposto Martin Schulz negociaram, de acordo com a opinião geral, bem sua agenda, obtendo várias concessões e conseguindo chegar a seis ministérios.

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