Publicidade

Correio Braziliense

Regime sírio permanece bombardeando o reduto de Guta Oriental

Desde que as forças de Bashar Al-Assad lançaram os ataques contra o reduto rebelde, em 18 de fevereiro, cerca de 800 pessoas morreram, entre elas 177 crianças


postado em 06/03/2018 12:59

(foto: Amer Almohibany / AFP)
(foto: Amer Almohibany / AFP)
Duma, Síria - Intensos bombardeios aéreos e combates abalavam o enclave rebelde sírio de Ghuta Oriental nesta terça-feira (6/3), enquanto França e Grã-Bretanha pediram uma reunião de emergência das Nações Unidas para discutir a escalada da violência neste país.

Cerca de 800 civis, incluindo 177 crianças, morreram desde que as forças do governo apoiadas por seu aliado russo lançaram novos ataques contra o enclave localizado perto de Damasco, em 18 de fevereiro passado.

À medida que o regime se faz de surdo à trégua, França e Grã-Bretanha pediram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, que deverá se reunir na quarta-feira para discutir os ataques aéreos e confrontos no enclave, apesar do cessar-fogo de um mês solicitado pelo órgão executivo das Nações Unidas há dez dias.

O Exército russo, que intervém na Síria em apoio ao governo Bashar al-Assad, anunciou nesta terça-feira que autorizaria, além dos civis, os rebeldes armados a deixarem Ghuta durante a trégua diária proclamada por Moscou.

No enclave, o regime sírio prosseguia seus bombardeios, que deixaram mais nove civis mortos, enquanto as forças leais avançam na zona agrícola desta região sitiada.

Mas, nesta terça-feira, oitavo dia da trégua, "o corredor humanitário foi aberto não apenas para a população civil de Ghuta Oriental, mas também para os combatentes com suas famílias. Os membros das formações armadas ilegais foram autorizados a carregar sua arma pessoal", indicou o general russo Vladimir Zolotukhin, citado pelas agências de notícias russas.

O general não especificou se esse corredor conduz a uma área controlada pelos rebeldes, ou pelo regime.

Até agora, nenhum civil tomou este corredor.

O general russo relatou uma situação "tensa", mas, ao mesmo tempo, com menos tiros na passagem de Wafidine, ponto de controle instalado pelos russos e sírios para esse corredor humanitário.

Avião militar russo cai
Também nesta terça, um avião militar russo caiu pouco antes de aterrissar na base militar russa de Hmeimin, no noroeste da Síria, matando seus 32 ocupantes, segundo o Exército russo.

"Em 6 de março, por volta das 15h (9h de Brasília), um avião de transporte An-26 caiu no aeródromo de Hmeimin. Segundo informações preliminares, transportava 26 passageiros e seis tripulantes", informou o Ministério da Defesa russo, citado por agências de notícias.

"A catástrofe, segundo as primeiras informações, deveu-se aparentemente a um problema técnico", acrescentou a mesma fonte, indicando que a aeronave caiu a 500 metros da pista de pouso da base russa e que não foi alvo de tiros.

Uma comissão do Ministério da Defesa vai analisar "todas as versões possíveis do que aconteceu", aponta o comunicado.

E, em outras frentes de batalha, cerca de 1.700 integrantes da coalizão curdo-árabe que combate o grupo Estado Islâmico (EI) no nordeste da Síria serão mobilizados em Afrin. Esse enclave curdo ao noroeste tem sido alvo de uma ofensiva turca desde janeiro, como anunciaram nesta terça-feira as Forças Democráticas Sírias (FDS).

"Tomamos a difícil decisão de retirar os combatentes do subúrbio de Deir Ezzor e das frentes anti-EI para movê-los em Afrin", indicou à AFP Abu Omar al-Idlebi, responsável militar das FDS, apoiadas pelos Estados Unidos, em uma entrevista coletiva em Raqa.

"Nosso povo em Afrin é nossa prioridade e sua proteção é mais importante do que as decisões tomadas pela coalizão internacional", aliada das FDS na guerra contra o Estado Islâmico, acrescentou.

Violência sem fim
A brutal ofensiva contra o último grande território rebelde perto da capital é a última do governo em sete anos de guerra civil.

Na semana passda, as tropas oficiais avançaram muito rapidamente nas terras agrícolas de Ghuta Oriental, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Até a manhã desta terça-feira, as forças sírias controlavam 40% desse enclave, segundo a ONG.

O comboio humanitário que entrou na segunda-feira na parte rebelde de Ghuta Oriental teve de interromper sua operação de entrega de ajuda devido aos bombardeios do regime contra o enclave.

O objetivo das entregas era ajudar cerca de 30.000 dos 400.000 habitantes do enclave, que sofrem com a escassez de alimentos e de remédios.

A Síria está mergulhada desde 2011 em uma guerra cada vez mais complexa, que matou mais de 340 mil pessoas.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade