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Correio Braziliense

União Europeia diz que não quer 'um muro' com o Reino Unido após Brexit

Theresa May, anunciou na sexta-feira que seu país abandonará o mercado único e a união aduaneira, e também recusou se manter sob a jurisdição do Tribunal de Justiça da UE


postado em 07/03/2018 14:28

Luxemburgo, Luxemburgo - A União Europeia negou nesta quarta-feira (7/3) querer levantar um "muro" com o Reino Unido após sua saída do bloco, embora tenha alertado, em sua proposta sobre a futura relação comercial com os britânicos, para o impacto negativo inevitável do Brexit.

"Não queremos construir um muro entre a UE e o Reino Unido. Ao contrário, o Reino Unido será nosso vizinho mais próximo e queremos continuar sendo amigos e parceiros", disse em coletiva de imprensa o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em Luxemburgo. 

Na capital do Grã-Ducado, onde se reuniu com seu primeiro-ministro Xavier Bettel, Tusk apresentou as orientação dos europeus que servirão como base para o negociador europeu, Michel Barnier, para definir com seu par britânico a futura relação entre os dois lados do Canal da Mancha. 

A questão da relação comercial é fundamental. A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou na sexta-feira que seu país abandonará o mercado único e a união aduaneira, e também recusou se manter sob a jurisdição do Tribunal de Justiça da UE. 

Após apontar que o acesso mútuo aos mercados será menor, ela reclamou um acordo de livre-comércio mais ambicioso que o da UE com Canadá, ou Noruega, que é membro do mercado único e está sujeita às obrigações europeias sem pertencer ao bloco. 

Lembrando dos "limites" de Londres, o presidente do Conselho defendeu que "apenas um acordo de livre-comércio é possível", "o primeiro acordo de livre-comércio da história que afrouxa os laços econômicos, em vez apertá-los". 

A UE buscará um acordo comercial baseado em um "equilíbrio de direitos e obrigações", indicou Tusk, para quem a futura relação também deverá passar por um estreita cooperação na luta contra o terrorismo e o crime internacional ao fazer frente "às ameaças similares". 

 'Atritos' inevitáveis 
A proposta revelada por Tusk ainda deverá ser aprovada pelos sócios do Reino Unido em uma cúpula europeia em 22 e 23 de março, representada em um documento que servirá de base para o negociador europeu definir o futuro com seu equivalente britânico. 

No rascunho de orientações sobre a futura relação, ao qual a AFP teve acesso, a UE reconhece eventuais obstáculos para o Reino Unido. "Estar fora da união aduaneira e do mercado único provocará atritos, inevitavelmente", diz o documento visto pela AFP. 

Um porta-voz de Downing Street suavizou o tema, garantindo que esse acordo ainda não tinha sido adotado "formalmente". "Esperamos que [as diretrizes finais] proporcionem a flexibilidade necessária" para repensar a "futura relação econômica", acrescentou. 

A UE busca um acordo que abarque "todos os setores, com tarifas zero para os produtos", explicou Tusk, para quem o acesso de barcos pesqueiros da UE nas águas britânicas deve estar incluído, um tema delicado para os partidários do Brexit. 

Além disso, sobre o desejo do Reino Unido de incluir os serviços financeiros no acordo de livre-comércio, o presidente da instituição que agrupa os mandatários do bloco se limitou a indicar que o pacto deve "abordar" o assunto. 

O ministro de Finanças britânico, Philip Hammon, deve fazer um discurso nesta quarta-feira em Londres sobre o "interesse mútuo" de ambas as partes em contar com um pacto para serviços financeiros, definindo que cada acordo comercial da UE é "único". 

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