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Correio Braziliense

Sete pessoas vão à justiça contra contas bloqueadas no Twitter de Trump

Os americanos se sentiram lesados após serem bloqueados na rede social do presidente dos EUA, que tem 48 milhões de seguidores


postado em 09/03/2018 13:30 / atualizado em 09/03/2018 13:57

(foto: CATHERINE TRIOMPHE / AFP)
(foto: CATHERINE TRIOMPHE / AFP)
Nova York, Estados Unidos - Donald Trump, um viciado em Twitter, pode impedir que seus detratores reajam a seus comentários? Sete deles entraram com um processo por terem sido bloqueados na rede social e agora a justiça decidirá se Trump deve desbloqueá-los.

As sete pessoas - incluindo um comediante de Nova York, um professor de sociologia em Maryland, um policial texano e uma cantora de Seattle - se rebelaram contra esse bloqueio, que os impede há meses de ver os tuítes publicados quase que diariamente pelo presidente em sua conta @RealDonaldTrump.

Seus comentários não aparecem entre as reações aos tuítes do presidente, que tem 48 milhões de seguidores e para quem o Twitter é a ferramenta de comunicação preferida.

Quantas pessoas no total foram bloqueadas pelo Trump no Twitter? Ninguém sabe exatamente, mas "alguns estimam que existem várias centenas", afirma Ujala Sehgal, porta-voz do Instituto Knight da Universidade de Columbia, um instituto especializado em defesa da liberdade de expressão que decidiu representar na justiça as pessoas bloqueadas.

Entre elas, Philip Cohen, professor de sociologia de Maryland, bloqueado em junho passado, 15 minutos depois de reagir a um tuíte presidencial, colocando uma foto de Trump sobre a qual aparecia a legenda "Corrupto Incompetente Autoritário".

Desde então, "percebi que muito menos pessoas viam meus tuítes e que minha eficácia política, minha capacidade de falar com outros cidadãos, foi afetada", explicou em uma audiência sobre o caso no tribunal federal de Manhattan.

"Os comentários (aos tuítes presidenciais) tornaram-se muito mais positivos, porque (Trump) bloqueou muitas pessoas que o criticavam", lamentou Nicholas Pappas, um comediante de Nova York, que também foi vetado por Trump em junho passado, depois de uma mensagem crítica sobre sua política de imigração.

"É importante que nossa opinião seja representada nesses tuítes, o que atualmente não é o caso", disse ele.

A advogada Katie Fallow argumentou na quinta-feira (8/3) ante a juíza Naomi Reice Buchwald que a conta @RealDonaldTrump, que o presidente queria "abrir a todos" e costumava anunciar suas decisões e promover sua política, tornou-se um "fórum público".

Nesse marco, está protegida pela Primeira Emenda à Constituição americana, de modo que os opositores de Trump não podem ser descartados sem prejudicar sua liberdade de expressão, explicou Fallow.

Mas o advogado do presidente, Michael Baer, rejeitou esses argumentos. Apesar de não negar que as mensagens tuitadas por Trump são mensagens oficiais, ele argumentou que o presidente tinha o direito, como qualquer um, de "ignorar comentários" e falar apenas a seus partidários.

Depois de ouvir as duas partes por duas horas, a juíza indicou na quinta-feira que não tomará uma decisão "imediata", mas decidirá em seu "devido tempo".

No entanto, perguntou: por que o presidente simplesmente não torna invisíveis seus detratores em seu Twitter usando a função "silenciar", o que lhes permitiria seguir o presidente e reagir às suas mensagens sem que o republicano as veja?

A advogada das pessoas bloqueadas se mostrou aberta a esta possível solução. "O que queremos é que o presidente Trump desbloqueie nossos autores e pare de bloquear pessoas por suas opiniões".

O advogado de Trump prometeu discutir esta proposta, embora tenha avisado que "não tem o poder" de forçar o presidente a "desbloquear" um usuário no Twitter.

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