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Correio Braziliense

Londres prepara medidas contra Moscou por caso de ex-espião envenenado

A Rússia alega inocência em relação ao caso do espião que foi envenenado no Reino Unido, no último dia 4


postado em 13/03/2018 10:57 / atualizado em 13/03/2018 11:06

Londres, Reino Unido - O governo britânico decide nesta terça-feira (13/3) que medidas tomar contra a Rússia, caso Moscou não explique, antes da conclusão do ultimato dado até a meia-noite, como se deu uma tentativa de assassinato de um ex-espião russo em solo britânico. A Rússia alega inocência.

"A Rússia é inocente e está disposta a cooperar na investigação, se a Grã-Bretanha cumprir suas obrigações internacionais", afirmou nesta terça-feira o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em uma entrevista coletiva em Moscou, um dia depois das acusações da primeira-ministra britânica, Theresa May, sobre a responsabilidade russa neste caso.

Lavrov também exigiu acesso à substância química que provocou o envenenamento de Skripal.

"Exigimos com uma nota oficial acesso a esta substância e a todos os fatos da investigação, porque uma das vítimas é a cidadã russa Yulia Skripal", filha do ex-espião, disse o chanceler.

Além disso, a Chancelaria russa convocou o embaixador britânico em Moscou.

Fortalecido pelo apoio dos Estados Unidos, da França, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia (UE), que expressou sua "inquebrantável solidariedade para com o Reino Unido", o governo de Theresa May realizou pela manhã sua habitual reunião semanal, desta vez dominada pela questão do quase assassinato do ex-coronel russo Serguei Skripal e de sua filha, Yulia, em Salisbury (sudoeste).

Em seguida, May participou de um encontro mais restrito com seu gabinete de segurança, o Cobra.

"É importante que as pessoas entendam a gravidade do ocorrido", afirmou o ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson.

"É a primeira vez que usam gases neurotóxicos na Europa desde a Segunda Guerra Mundial", acrescentou.

Uma resposta russa insatisfatória "abrirá um leque de contramedidas econômicas, financeiras, diplomáticas e, em seguida, obviamente, se fala muito das sanções Magnitsky", disse à rádio BBC o ministro da Habitação, Dominic Raab.

Por sanções "Magnitsky", Raab se refere à lei homônima dos Estados Unidos, sem equivalente britânico, que pune funcionários estrangeiros envolvidos em abusos contra os direitos humanos e que foi aprovada para castigar os autores da morte do contador russo Serguei Magnitsky em uma prisão de Moscou, quando ele investigava a corrupção no Kremlin.

Citando uma fonte não identificada do governo, o jornal "The Times" também falou da possibilidade de Londres lançar um ciberataque, como disseminar um vírus nos sistemas informáticos estratégicos russos.

A retirada da equipe da Inglaterra do Mundial da Rússia 2018 também foi aventada, mas, no momento, o governo apenas mencionou a possibilidade de as autoridades não comparecerem ao evento esportivo.

Gás torturante

Na véspera, May declarou ao Parlamento ser muito provável que a Rússia esteja por trás da tentativa de assassinato de um ex-espião russo e deu a Moscou até esta terça-feira para que apresente explicações.

Moscou rejeitou imediatamente as acusações, chamando de "espetáculo circense no Parlamento britânico".

Segundo May, o gás neurotóxico utilizado é de tipo militar e fabricado na Rússia.

A chefe de Estado ressaltou que a arma usada contra Skriptal, um ex-coronel russo de 66 anos que foi condenado em seu país por alta traição, e sua filha "é um agente neurotóxico de uso militar de um tipo desenvolvido pela Rússia", conhecido como "Novichok".

A primeira-ministra citou o histórico da Rússia "de cometer assassinatos organizados pelo Estado" e o fato de ver "alguns desertores como alvos legítimos" para apontar a culpa muito provável do país presidido por Vladimir Putin.

Já Boris Johnson pediu ao embaixador russo em Londres que "forneça imediatamente informações completas sobre o programa Novichok à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq)", de acordo com May, dando-lhe um prazo-limite de até terça-feira.

A embaixada russa aconselhou o governo britânico, por sua vez, a não fazer um "jogo perigoso" que coloque as relações bilaterais em risco.

"Isto é um espetáculo circense no Parlamento britânico e uma provocação", afirmou a porta-voz da Chancelaria russa, Maria Zakharova.

O Ministério russo das Relações Exteriores acrescentou que as acusações de May tentam "desacreditar a Rússia" antes da Copa do Mundo de futebol, que acontecerá em junho e julho.

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