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Correio Braziliense

Ofensiva comercial de Trump pode se voltar contra China

A iniciativa abriria uma nova frente na controversa política comercial do governo Trump, que já aplicou tarifas pesadas sobre as importações de aço e alumínio e apresentou uma ação contra a Índia na OMC


postado em 15/03/2018 18:31

(foto: Nicholas Kamm/ AFP )
(foto: Nicholas Kamm/ AFP )


Washington, Estados Unidos -
O presidente americano, Donald Trump, deve considerar "nas próximas semanas" medidas comerciais contra a China pelo "roubo" de propriedade intelectual, adiantou nesta quinta-feira (15/3) um alto funcionário, em um novo capítulo de seus esforços para reformar as relações comerciais do país.

A iniciativa abriria uma nova frente na controversa política comercial do governo Trump, que já aplicou tarifas pesadas sobre as importações de aço e alumínio e apresentou uma ação contra a Índia na Organização Mundial do Comércio (OMC). 

Esta nova posição da Casa Branca despertou o medo de uma guerra comercial generalizada, que teria consequências imprevisíveis para o avanço da economia mundial.

"Nas próximas semanas o presidente terá em sua mesa de trabalho algumas recomendações", disse seu assessor de Comércio Peter Navarro em entrevista à emissora CNBC. Essas recomendações se baseiam em um relatório elaborado por Robert Lighthizer, o Representante de Comércio.

Para Navarro, a adoção dessas medidas "é apenas um dos muitos passos que o presidente está dando, com coragem, para atender às práticas desleais do comércio". O governo americano tinha aberto, em agosto passado, uma investigação, sob o capítulo 301 de sua legislação comercial, relativa a violações dos direitos de propriedade intelectual.


 Propriedade intelectual na mira 

Particularmente, Washington está preocupada com a obrigatoriedade de criar "joint ventures" para que empresas americanas operem na China. Em troca do acesso ao mercado chinês, essas empresas são forçadas a ceder a seus associados locais uma parte de seus conhecimentos tecnológicos.

A imprensa americana disse nesta semana que Washington analisa a possibilidade de aplicar sanções à China entre 30 e 60 bilhões de dólares, mas Navarro não adiantou detalhes. O funcionário, contudo, garantiu que a China "violou todas as regras" desde sua entrada na Organização Mundial de Comércio (OMC) em 2001 e acusou-a de ter "desestabilizado o comércio mundial".

Contudo, o governo chinês já adiantou que qualquer medida americana sobre o comércio terá uma resposta equivalente. Em coletiva de imprensa, o porta-voz da chancelaria chinesa, Lu Kang, apontou que "se se apresentar uma situação indesejada", o gigante asiático tem "a intenção de proteger seus direitos legítimos". 

Para Kang, "a história provou que uma guerra comercial não interessa a ninguém". O déficit comercial dos Estados Unidos com a China chegou a 375 bilhões de dólares no ano passado, mas as exportações americanas para o país asiático também bateram um recorde.

Nesta quinta-feira, um funcionário do Departamento de Tesouro adiantou que os Estados Unidos se dispuseram a estimular uma discussão sobre a China na próxima reunião do G20, que acontecerá em Buenos Aires na semana que vem. 

"Temos trabalhado com países que pensam como nós ao redor do mundo para reconhecer os problemas que a política comercial e os investimentos da China causam no resto do mundo", disse o funcionário, que pediu anonimato. 

 Luta interna 

Navarro é um funcionário próximo de Trump que acabou se impondo - e impondo também os seus pontos de vista - na disputa interna que provocou uma erupção no governo, decorrente das tarifas sobre aço e alumínio. 

A imposição dessas taxas causou uma divisão no governo diante de possíveis consequências para o país e acabou motivando a renúncia do principal assessor econômico de Trump, Gary Cohn. Para o lugar de Cohn, Trump escolheu Larry Kudlow.

Navarro não acredita que sanções diretas à China teriam os efeitos devastadores previstos. "Não acho que ninguém em Wall Street se oponha a atacarmos a China pelo roubo da nossa propriedade intelectual", comentou. Legisladores e representantes da indústria já alertaram que a adoção de medidas contra a China poderiam provocar represálias que afetem os exportadores americanos.

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