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Correio Braziliense

Australiano paraplégico tenta conquistar o Everest sem ajuda no percurso

Scott Doolan, de 28 anos, se lança nesta sexta-feira (16/3) à conquista da vertente sul, do lado nepalense, a 5.364 metros de altura, geralmente acessível só a pé e em helicóptero


postado em 16/03/2018 18:31

O australiano usa cadeira de rodas desde os 17 anos, quando fraturou a coluna vertebral em um acidente de moto(foto: Prakash Mathema / AFP)
O australiano usa cadeira de rodas desde os 17 anos, quando fraturou a coluna vertebral em um acidente de moto (foto: Prakash Mathema / AFP)


Katmandu, Nepal -
Um australiano em uma cadeira de rodas espera ser o primeiro paraplégico a atingir o campo base do Everest sem ajuda durante um percurso que pretende realizar apenas com a força de suas mãos.

Scott Doolan, de 28 anos, se lança nesta sexta-feira (16/3) à conquista da vertente sul, do lado nepalense, a 5.364 metros de altura, geralmente acessível só a pé e em helicóptero. Busca demonstrar que é possível chegar a este cume também em cadeiras de rodas.

Para tentar consegui-lo, utilizará uma cadeira concebida especialmente com rodas fora de estrada para percorrer os caminhos transitáveis. Mas pretende utilizar principalmente suas mãos, com um amigo que carregará suas pernas, como na brincadeira infantil de carrinho de mão, explica.

"Sairei da cadeira e meu amigo Matt vai me segurar pelos tornozelos, e caminharei com as mãos", acrescenta. Doolan treina há oito meses para este desafio, com exercícios musculares e cardiovasculares.

Passou um tempo nas trilhas das Montanhas Azuis na Austrália, usando uma máscara que limita a oferta de oxigênio para simular as condições da altitude que lhe esperam no Himalaia.

O percurso do campo base do Everest começa em Lukla, 140 km ao leste de Katmandu, e segue uma antiga rota comercial que unia o Tibete ao Nepal. Uma série de pontes suspensas cruzam o rio ao longo do vale de Khumjung, antes de uma encosta íngreme até o campo base.

Os alpinistas escalam a uma altura em que o oxigênio começa a escassear, o que pode provocar dores de cabeça e náuseas. "Não sei como vai ser. Haverá provavelmente alguns lugares pelos quais não poderei passar em cadeira de rodas. Descerei e utilizarei as mãos. Será provavelmente a parte mais difícil. Espero não ter mal de altura", diz. 


 "Supere" 

Cerca de 5 mil pessoas realizam por ano a trilha ao pé do glaciar de Khumbu - e demoram entre oito e dez dias -, segundo o ministro nepalense do Turismo. Doolan acha que vai precisar do dobro do tempo para atingir seu objetivo.

O australiano usa cadeira de rodas desde os 17 anos, quando fraturou a coluna vertebral em um acidente de moto. Depois, levou alguns anos para voltar a praticar esportes, mas isso o ajudou a tomar consciência de sua deficiência, explica. Posteriormente, conheceu Matt Laycock, criador da marca de roupa Apexgen, que se fixou a missão de sensibilizar sobre a saúde mental e a deficiência com o lema "Supere".

Foi Laycock que sugeriu a Doolan a ideia de se tornar o primeiro paraplégico a chegar ao campo base do Everest essencialmente por seus próprios meios. A aventura, que custa 70.000 dólares australianos (44.000 euros, 55.000 dólares), incluindo a cadeira de rodas, é patrocinada pela empresa de Laycock.

Embora inicialmente Doolan tenha recusado a proposta, logo mudou de ideia. "Qualquer coisa pode ser feita se você quiser aquilo realmente. É o que aprendi até agora. A imaginação é o único limite", conclui Doolan, falando do desafio que o espera.

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