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Correio Braziliense

Milhares de civis fogem de duas frentes de combates na Síria

Mais de 1.394 civis, incluindo 271 crianças, morreram desde que o regime lançou sua ofensiva


postado em 17/03/2018 10:41 / atualizado em 17/03/2018 10:54

Milhares de civis fugiam neste sábado (17) na Síria, onde a guerra se agita em duas frentes diferentes: em Afrin, enclave curdo no noroeste do país, e na última fortaleza rebelde de Ghuta Oriental, nas proximidades de Damasco.

O regime sírio de Bashar al-Assad, apoiado por seu aliado russo, continua seus bombardeios em Ghuta, tentando reconquistá-la a todo custo. Pelo menos 30 civis foram mortos nos ataques aéreos deste sábado na cidade de Zamalka, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH). Um correspondente da AFP na cidade de Arbin, perto de Zamalka, confirmou os bombardeios na região.

Mais de 1.394 civis, incluindo 271 crianças, morreram desde que o regime lançou sua ofensiva, em 18 de fevereiro, contra este reduto rebelde sitiado desde 2013.

Para escapar da escassez de água, alimento e medicamentos, dos bombardeios e da morte, cerca de 10 mil pessoas deixaram o enclave neste sábado, elevando a 40 mil o número de civis que fugiram da área desde quinta-feira, de acordo com o OSDH.

Os civis não têm escolha senão buscar refúgio nas áreas controladas pelo regime, apesar dos temores de represálias, segundo a ONG.

Em outra frente da guerra que devasta a Síria há mais de sete anos, mais de 200 mil civis deixaram suas casas na cidade de Afrin desde quarta-feira à noite, fugindo do fogo da artilharia turca, de acordo com o OSDH.

A Turquia e seus aliados rebeldes sírios cercam esta cidade como parte da ofensiva lançada em 20 de fevereiro contra a milícia curda das Unidades de Proteção do Povo (YPG), acusada por Ancara de ser um grupo "terrorista", mas que é aliada dos Estados Unidos na luta contra os jihadistas. 

A guerra na Síria, que começou após a repressão violenta do regime a manifestações pró-democracia em 2011, tornou-se um conflito complexo, com o envolvimento de potências estrangeiras. Já fez mais de 350.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados. 

Graças ao apoio da Rússia, o regime de Bashar al-Assad conseguiu reconquistar 70% do enclave rebelde de Ghuta, segundo o OSDH. 

Situação aterrorizante 

A televisão estatal síria exibia imagens do fluxo contínuo de civis chegando nas áreas controladas pelo exército. Mulheres idosas vestidas de preto, jovens exaustas caminhado em uma estrada empoeirada carregando cobertores em seus braços.

As autoridades abriram abrigos improvisados %u200B%u200Bnos arredores de Damasco para receber os deslocados, especialmente na cidade de Adra, no norte de Ghuta. "Não temos onde dormir, não temos cobertores, só distribuíram um. As mulheres e as crianças se instalaram no chão", lamenta Abu Jaled, de 35 anos, que encontrou refúgio em uma escola convertida em abrigo temporário.

Enquanto o regime continua seu avanço na região, os grupos rebeldes islâmicos Jaish al-Islam, Faylaq al-Rahman e Ahrar al-Sham, cada um presente em um dos três setores assediados de Ghuta, se mostraram dispostos a "negociações diretas" com a Rússia, sob supervisão da ONU, para obter uma trégua.

Em Afrin, onde as forças pró-turcas cercam quase toda a cidade, 11 civis morreram neste sábado em um bombardeio ao tentarem sair da cidade, informou o OSDH. Os habitantes só têm um único corredor para fugir pelo sul para territórios controlados pelos curdos ou pelo regime.

"A situação é aterrorizante", diz o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman. "Houve combates violentos durante a noite na periferia norte da cidade de Afrin. As forças turcas e seus aliados sírios tentam entrar na cidade". Na sexta-feira à noite, 16 civis morreram em um bombardeio turco contra o principal hospital da cidade de Afrin, de acordo com o OSDH. O exército turco negou esse ataque.

O bombardeio turco causou "destruição significativa" no hospital, o maior da região, que ficou "fora de serviço", de acordo com seu diretor Jiwan Mohamad, citado pela agência de notícias oficial síria Sana.

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