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Correio Braziliense

Reformas de Macron despertam greves e protestos na França

Sete sindicatos de funcionários encabeçaram o protesto, enquanto um terço deixava seus postos de trabalho para se unirem ao protesto contra o projeto de Macron de reformar a companhia pública ferroviária SNCF


postado em 22/03/2018 17:58

(foto: Boris Horvat / AFP)
(foto: Boris Horvat / AFP)


Paris, França -
Cerca de 200 mil manifestantes tomaram as ruas de toda a França nesta quinta-feira (22), em um enfrentamentos entre os sindicatos e o presidente Emmanuel Macron que pode ser decisivo para sua agenda reformista. 

Sete sindicatos de funcionários encabeçaram o protesto, enquanto um terço deixava seus postos de trabalho para se unirem ao protesto contra o projeto de Macron de reformar a companhia pública ferroviária SNCF. 
Segundo dados da polícia, 198 mil pessoas protestaram em todo o país, 49 mil delas em Paris, O sindicato CGT, o maior do setor público, estimou a participação total em mais de 500 mil. 

De acordo com dados da SNCF, que transporta diariamente 3,5 milhões de passageiros, 40% dos trens de alta velocidade e 25% dos de médio alcance circularam nesta quinta na França, onde ainda se registraram perturbações em voos, escolas, serviços de segurança, bibliotecas e outras serviços públicos, como coleta de lixo. 

A polícia usou gases lacrimogêneos e jatos de água no centro de Paris, em confrontos com grupos de estudantes. Pelo menos uma janela de um escritório ficou quebrada e um automóvel foi incendiado. 

Destruir os serviços públicos' 
Mas, enquanto em algumas regiões o transporte tornou-se um pesadelo, especialmente para os trabalhadores procedentes dos subúrbios, o impacto das greves foi baixo, em relação aos padrões históricos da França. Baptiste Colin, estudante de engenharia de 22 anos que protestava na capital, acusou o governo de querer "destruir os serviços públicos".

Marine Bruneau, funcionária do Município, concorda: "Parece que acham que na França (...) o setor privado pode fazer tudo, e não precisamos de funcionários como eu. Mas a França precisa de nós. Se não estivermos aqui, o país não vai bem".

Os protestos organizados nesta quinta em grandes cidades como Marselha e Lyon reuniram milhares de pessoas, mas foram menores que os anteriores, contra as reformas trabalhistas importas por Macron no ano passado. 

A data de 22 de março foi escolhida deliberadamente para coincidir com os protestos de 1968, que desencadearam as históricas mobilizações de maio daquele ano. 

- 'Transformar' o país -
Macron, de 40 anos, eleito em maio, tinha prometido amplas reformas. "A França não é um país reformável. Muitos tentaram e não conseguiram, já que os franceses odeiam reformas", disse em agosto, afirmando que o que busca é "transformar" o país "profundamente, para que encontre o destino que lhe cabe". Ele empreendeu uma série de reformas trabalhistas que inclui um plano de supressão de 120 mil postos de trabalho na função pública, a fim de reduzir o gasto estatal. 

Os ferroviários protestam contra um projeto de reforma da companhia nacional SNFC que inclui o fim de seu estatuto trabalhista, vantajoso em relação ao regime geral dos trabalhadores, sobretudo a respeito da aposentadoria. 

A reforma ferroviária - um "passo" em direção à privatização da SNCF, segundo alguns - ainda se dá por decreto, mecanismo mais rápido, que reduz os debates parlamentares e desperta fortes críticas.

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