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Correio Braziliense

Trump assina lei de orçamento e evita nova paralisação do governo

Numa declaração em que descreveu a situação como ridícula, Trump disse que tinha assinado a lei por uma "questão de segurança nacional" e pelas forças militares


postado em 23/03/2018 17:33

(foto: SAUL LOEB/ AFP )
(foto: SAUL LOEB/ AFP )


Washington, Estados Unidos -
Após manter Washington em suspenso com sua ameaça de vetar a lei orçamentária aprovada nesta madrugada pelo Congresso e levar a uma nova paralisação do governo, o presidente americano, Donald Trump, finalmente assinou a legislação nesta sexta-feira (23/3). Ele não deixou de se queixar de a lei aprovada não incluir seus planos sobre imigração.

"Assinei a lei", disse o mandatário na Casa Branca, interrompendo a possibilidade de um novo "shutdown" do governo à meia-noite por falta de fundos. O presidente tinha surpreendido toda a classe política ao ameaçar, em um tuíte, vetar a lei aprovada horas antes. Na véspera, seu diretor de Orçamento prometeu que o presidente assinaria o texto.

Numa declaração em que descreveu a situação como ridícula, Trump disse que tinha assinado a lei por uma "questão de segurança nacional" e pelas forças militares. Mas o presidente disse que havia muitos elementos que lhe deixaram descontente. "Nunca assinarei outra lei como essa", alertou.

Isso reforçou ainda mais a impressão de que o caos reina na Casa Branca. "Os americanos precisam de liderança na Casa Branca, não de mais caos deliberado", disse o senador democrata Richard Blumenthal no Twitter.

Nesta quinta, a dança das cadeiras na equipe de Trump continuou, com a demissão do assessor de Segurança Nacional, o general H.R. McMaster, que será substituído pelo "falcão" e ex-embaixador para a ONU, John Bolton. Ao promulgar a lei de orçamento, Trump evitou o terceiro "shutdown" do ano por falta de financiamento.

Mais cedo, ele tinha dito que avaliava vetá-la, porque a lei prevê financiamento insuficiente para o muro e não trata da situação de centenas de milhares de jovens imigrantes indocumentados que estão em um limbo legal desde que ele cancelou o programa Daca, criado por seu antecessor Barack Obama.

"Estou considerando um VETO da lei de orçamento baseado no fato de que os mais de 800.000 de destinatários do DACA foram totalmente abandonados pelos democratas (sequer são mencionados na lei) e o MURO FRONTEIRIÇO, desesperadamente necessário para nossa defesa nacional, não está totalmente financiado", tuitou o presidente.

A ameaça surpreendeu, já que a maioria dos legisladores tinham deixado a capital federal na noite desta quinta, ou se preparavam para fazê-lo nesta sexta, para um recesso de duas semanas. 

 'Dreamers' continuam no limbo
A lei de orçamento, de quase 1,3 trilhão de dólares, dos quais 700 bilhões são para Defesa, foi negociada durante semanas pela maioria republicana e a oposição democrata. O texto aprovado permitirá o funcionamento do governo federal até o fim do atual ano fiscal, em 30 de setembro. 

Trump, os republicanos e os democratas - que contam com uma minoria de bloqueio - penam há meses para atingir um acordo que regularize a situação de milhares de jovens imigrantes, em troca de um endurecimento da política migratória e do financiamento da construção do alto muro de cimento na fronteira com o México prometido pelo mandatário em sua campanha. 

Este acordo, contudo, foi impossível. Trump acabou conseguindo apenas 1,6 bilhão de dólares para construir cercas e renovar algumas dezenas de quilômetros do muro - bem menos que os 25 bilhões de dólares que tinha pedido inicialmente. 

Os democratas não conseguiram nada para os "dreamers" - como são chamados os jovens imigrantes que chegaram aos Estados Unidos de forma ilegal durante a infância. Dezenas de republicanos conservadores votaram contra a lei em protesto pelo aumento significativo do gasto público. 

Os democratas acusaram o presidente de hipocrisia. "Não vamos esquecer que você revogou o Daca e atacou todos os possíveis acordos bipartidários. Isso é culpa sua", afirmou o democrata Tim Ryan.

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