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Correio Braziliense

Protestos por prisão de Puigdemont bloqueiam estradas na Catalunha

Durante o dia foram bloqueadas outras duas estradas e brevemente os acessos a Barcelona. No início da noite, centenas de pessoas tentaram cercar a estação de trem de Sants, mas a polícia antidistúrbios voltou a impedir


postado em 27/03/2018 17:08 / atualizado em 27/03/2018 17:46

(foto: AFP)
(foto: AFP)


Barcelona, Espanha -
A tropa de choque da Polícia interveio nesta terça-feira (27/3) para desobstruir uma estrada na Catalunha, bloqueada por militantes secessionistas que protestavam contra a prisão na Alemanha do ex-presidente independentista Carles Puigdemont, que pode ser extraditado à Espanha acusado de "rebelião".

Os Mossos d'Esquadra, a polícia regional catalã, tiveram que intervir ao meio-dia para retirar um bloqueio montado ao amanhecer na altura de Figueras, perto da fronteira francesa, por dezenas de manifestantes convocados pelos Comitês de Defesa da República (CDR).

A televisão regional divulgou ao vivo as imagens dos agentes antidistúrbios levando um a um os militantes desses comitês. Durante o dia foram bloqueadas outras duas estradas e brevemente os acessos a Barcelona. No início da noite, centenas de pessoas tentaram cercar a estação de trem de Sants, mas a polícia antidistúrbios voltou a impedir.

Na capital catalã, os confrontos mais graves entre manifestantes independentistas e agentes da polícia aconteceram na noite de domingo, horas depois de saberem da prisão de Puigdemont. Houve cerca de 100 feridos leves, entre eles 23 policiais.


- 'Ponto sem volta' -

A CDR, que conta com milhares de militantes, anunciaram na segunda-feira uma campanha de protestos e disseram que a prisão de Puigdemont supôs "um ponto sem volta" para o secessionismo. Puigdemont se encontra atualmente preso na cidade alemã de Neumünster. Agora devem esperar a decisão do tribunal de Kiel (norte da Alemanha), que poderia entregá-lo à Justiça espanhola, que o acusa de rebelião e malversação por seu papel na tentativa separatista.

Em qualquer caso, Puigdemont "não desistirá de continuar defendendo seus ideais apesar de todas as adversidades que estão sendo vividas nesses momentos", declarou nesta terça-feira seu advogado Jaume Alonso-Cuevillas depois de visitá-lo na prisão.

"O presidente tem perfeitamente claro que é possível que isso se prolongue", mas "temos uma grande confiança na Justiça europeia e na Justiça alemã", acrescentou. As autoridades alemãs têm 60 dias para decidir se o extraditam ou não.

Um porta-voz da Procuradoria alemã, Wiebke Hoffelner, se limitou a dizer que a decisão "não será tomada esta semana". A Justiça também terá que estabelecer se no Direito alemão existe crimes equivalentes ao que são imputados a Puigdemont, em particular o de rebelião, passível de até 30 anos de prisão na Espanha. Outros 12 importantes independentistas são acusados de rebelião. No total, são 25 os dirigentes separatistas acusados.

Nove estão presos na Espanha e sete fugiram ao exterior, dos quais seis, incluindo Puigdemont, têm uma ordem europeia de prisão. Clara Ponsati, ex-ministra regional de Educação de Puigdemont, que primeiro foi para Bruxelas e recentemente à Escócia, se entregará na quarta-feira à polícia escocesa, anunciou seu advogado Aamer Anwar nesta terça. 


- 'Infrações muito concretas' -

Steffen Seibert, porta-voz do governo da chanceler Angela Merkel, lembrou que a Espanha é um "Estado de direito democrático" e destacou "a particular confiança entre as autoridades judiciais dos países-membros da UE".

Também recordou que, como Madri repete, Puigdemont não está sendo perseguido por "ideais políticos, por ideais de independência, mas por infrações muito concretas". Puigdemont foi detido no domingo por policiais de Schleswig-Holstein quando saía de carro da Dinamarca para ir à Bélgica. Era acompanhado por dois policiais catalães, contra os quais abriu investigações.

Na Bélgica, a Justiça pediu "informações complementares" a Madri sobre as ordens europeias de prisão emitidas contra os conselheiros que se instalaram com Puigdemont em Bruxelas - Meritxell Serret, Toni Comín e Lluís Puig.

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