Publicidade

Correio Braziliense

Sejong se prepara para ser a nova capital administrativa sul-coreana

Superpovoada e próxima demais da fronteira com a Coreia do Norte, Seul assiste à transferência por etapas do governo nacional para Sejong, uma cidade planejada e construída desde 2005, bem no centro do país


postado em 02/04/2018 06:00 / atualizado em 01/04/2018 23:31

O novo complexo governamental erguido no centro de Sejong: para o prefeito, Lee Chon-hee, a cidade já é na prática a nova sede do país, com mais de 60% da administração transferida(foto: Minseong Kim/Divulgação)
O novo complexo governamental erguido no centro de Sejong: para o prefeito, Lee Chon-hee, a cidade já é na prática a nova sede do país, com mais de 60% da administração transferida (foto: Minseong Kim/Divulgação)


Sejong (Coreia do Sul)
— Assim como fez o Brasil há quase 60 anos, a Coreia do Sul constrói a sua capital de forma planejada. Mas, diferentemente do que ocorreu com Brasília, a mudança não é prevista na Constituição do país asiático. Mesmo questionada na Justiça e pelos adversários do governo, a empreitada segue a toque de caixa. Com a construção iniciada em 2005, a cidade tem quase toda a infraestrutura pronta, com centenas de edificações concluídas e ocupadas. Além de impulsionar a economia da região onde é instalada, ela apresenta uma forte virtude do ponto de vista estratégico militar. Enquanto Seul está a 70km da fronteira com a Coreia do Norte, Sejiong fica a quase 200km do limite com o território inimigo.

Cerca de 125km ao sul de Seul, Sejong foi concebida para ser a nova capital administrativa sul-coreana. Pelo projeto original, a cidade será erguida em três fases, sendo a última completada em 2030, com capacidade para abrigar 800 mil pessoas. Na segunda etapa, com 300 mil habitantes, o cronograma segue os prazos estipulados.

A mudança era uma promessa da campanha do presidente Roh Moo-hyun, em 2004. Assim que tomou posse, ele anunciou a liberação de US$ 45 bilhões para as obras, que tiveram início em 2005.

A primeira parte da nova capital foi inaugurada em 2 de julho de 2012, com 36 agências do governo programadas para se mudarem para Sejong em 2015. No entanto, oito dos nove juízes da Suprema Corte do país indeferiram o pedido do governo federal, considerando-o inconstitucional. “O direito do povo coreano foi prejudicado, porque a remoção planejada do capital foi decidida sem um consenso nacional. O presidente deve lançar o assunto ao público, mas não o faz”, ressaltou o presidente do tribunal, Yoon Young-chul, em seu voto.

Seul é sede do poder desde que o imperador Joseon mudou a capital de Kaesong, em 1394. Um dos problemas apontados pelos defensores da construção de Sejong é a superpopulação de Seul, que tem quase 10 milhões de habitantes. No entanto, a cidade é o núcleo da Região Metropolitana de Seul, que inclui a metrópole vizinha de Incheon e a província de Gyeonggi e soma 25 milhões de moradores — é a segunda maior área metropolitana do mundo. Cercada de montanhas, Seul não tem mais para onde crescer.

Cidade especial


Mesmo com a decisão contrária da Suprema Corte, por meio de diversas manobras políticas e lobbies nos bastidores, Roh Moo-hyun manteve o projeto, com o intuito de reverter a decisão judicial em futuro próximo. A potencial capital passou a ser uma das “cidades especiais” do país. A Coreia do Sul tem outras sete localidades com esse status: Busan, Daegu, Daejeon, Gwangju, Incheon, Seul e Ulsan.

Nas cidades especiais sul-coreanas, o prefeito detém o cargo de comando mais importante. Ele é eleito por meio do voto direto dos residentes para um mandato de quatro anos. “Com 60% das administrações governamentais funcionando na cidade, Sejong, na prática, já é a sede administrativa da República da Coreia”, afirmou Lee Choon-hee, prefeito da nova capital, em entrevista ao Correio.

Lee ressalta que Sejong está no centro da Coreia do Sul. De qualquer ponto do país, é possível chegar em até duas horas de carro ou, no máximo, 40 minutos de trem. O prefeito destaca ainda que metade da área urbana está completa. “Sejong é a cidade onde você pode esperar o que imagina do futuro, porque em cinco anos tudo será diferente.”

O repórter viajou a convite da Associação Coreana de Jornalistas.

Mudanças de capitais na história


Século 18
» Desde a Declaração de Independência, em 1776, os Estados Unidos tiveram nove capitais. Antes de Washington, foram Filadélfia, Baltimore, Lancaster, Princeton, Annapolis, Trenton e York.

1923
» Mustafa Kemal Ataturk mudou a capital turca de Constantinopla (hoje Istambul) para Ancara, em outubro, como parte do rompimento com o passado do Império Otomano.

1960
» O governo paquistanês transferiu a capital de Karachi, no sul, para Islamabad, no norte, a cerca de 1,5 mil km de distância.

» Cumprindo o previsto na primeira Constituição do país, o governo brasileiro inaugurou, em 21 de abril, Brasília, a capital projetada e construída para substituir o Rio de Janeiro. Ainda como colônia portuesa, o país tinha tido Salvador como 
primeira capital.

1999
» O primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, transferiu os centros administrativos do governo de Kuala Lumpur para Putrajaya. A capital, no entanto, continuou sendo Kuala Lumpur.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade