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Correio Braziliense

Candidato da oposição é eleito presidente de Serra Leoa

Bio, um militar reformado de 53 anos, venceu o segundo turno da eleição, disputado em 31 de março, com 51,81% dos votos, contra 48,19% para o governista Samura Kamara


postado em 05/04/2018 14:59

O novo presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, e sua mulher, Fatim Bio, na posse em 4 de abril de 2018 em Freetown(foto: Saidu Bah/AFP )
O novo presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, e sua mulher, Fatim Bio, na posse em 4 de abril de 2018 em Freetown (foto: Saidu Bah/AFP )
Freetown, Serra Leoa - O candidato do principal partido de oposição de Serra Leoa, Julius Maada Bio, venceu as eleições presidenciais e voltará ao poder, que exerceu brevemente há 22 anos, após um golpe de Estado.

Bio, um militar reformado de 53 anos, venceu o segundo turno da eleição, disputado em 31 de março, com 51,81% dos votos, contra 48,19% para o governista Samura Kamara, informou na noite desta quarta-feira o presidente da Comissão Eleitoral Nacional, Mohamed Conteh. 

Kamara, ex-ministro das Finanças e de Relações Exteriores de 66 anos, foi escolhido pessoalmente pelo presidente em final de mandato, Ernest Bai Koroma, para representar o partido do Congresso de Todo o Povo (APC). Koroma estava impedido de se candidatar após dois mandatos, de cinco anos. 

Bio, líder do Partido do Povo de Serra Leoa (SLPP), foi empossado na noite desta quarta-feira no salão de conferências de um grande hotel de Freetown, diante de centenas de partidários, representantes das instituições do Estado e diplomatas estrangeiros.

Em Freetown, centenas de pessoas saíram às ruas para comemorar a vitória de Bio, cujo partido SLPP estava na oposição em Serra Leoa - antiga colônia britânica independente desde 1961 - há dez anos. As forças de segurança estabeleceram um cordão em torno da sede do SLPP, onde centenas de pessoas celebram a vitória, para evitar confrontos com partidários de Koroma. 

Em janeiro de 1996, Bio assumiu brevemente o poder neste país de língua inglesa da África Ocidental após a destituição do chefe da Junta Militar, capitão Valentine Strasser, de quem era o braço direito. Na direção do país, Bio restabeleceu rapidamente o multipartidarismo e aceitou entregar o poder ao presidente recém-eleito, Ahmad Tejan Kabbah, em março do mesmo ano. 

Durante a recente campanha, Bio prometeu melhorar o sistema educativo, implementando ensino fundamental e médio obrigatório e gratuito, e criticou duramente os estreitos vínculos entre o governo de Koroma e a China. Também prometeu revisar as concessões do setor de mineração e as vantagens fiscais concedidas às companhias estrangeiras.

Nascido em 12 de maio de 1964, Bio, um dos 35 filhos de um chefe tradicional da etnia mende, Charli Bio II, é um católico casado com uma muçulmana, pai de quatro filhos. Entrou para a Academia Militar de Serra Leoa, onde se graduou em 1987, aos 22 anos, como subtenente.

Em 1990 foi enviado à Libéria, em plena guerra civil, como membro da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). Em 1992 entrou para o grupo de militares liderado pelo capitão Valentine Strasser, que derrotou o regime repressivo de Joseph Momoh, acusado de ter provocado a guerra civil de entre 1991 e 2002.

Tempos depois, Julius Maada Bio desculpou-se por ter executado cerca de 20 pessoas durante o golpe de Estado. Em 1996, então número dois do governo militar, Bio derrota Strasser, organiza eleições e dois meses depois entrega o poder ao presidente eleito  Ahmad Tejan Kabbah.

Foi aos Estados Unidos, onde obteve um diploma em Relações Internacionais, e retorna dez anos depois, em 2005, para assumir a presidência do partido SLPP. Em 2014 criou junto com sua esposa Fatima uma fundação de ajuda às crianças e mulheres desfavorecidas.

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