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Correio Braziliense

Moscou nega ter desenvolvido programa Novichok perto do Volga

O jornal "The Times" afirmou que o agente neurotóxico usado para envenenar o ex-espião russo foi concebido em Shijany, uma cidade à qual é permitido acesso apenas com autorização oficial


postado em 06/04/2018 10:00 / atualizado em 06/04/2018 10:16

Moscou, Rússia - Moscou negou, nesta sexta-feira (6/4), as afirmações do jornal britânico "The Times", segundo as quais a substância usada para envenenar o ex-espião russo Serguei Skripal foi criada em uma cidade na região do rio Volga.

Ontem, citando fontes dos serviços de Segurança britânicos, o jornal "The Times" afirmou que o agente neurotóxico usado para envenenar o ex-espião foi concebido em Shijany, uma cidade à qual é permitido acesso apenas com autorização oficial, na região de Saratov, perto do rio Volga, no sudoeste do país.

O "Times" comparou Shijany a um "Porton Down russo", em alusão ao laboratório militar britânico especializado em investigações químicas e biológicas.

"Este laboratório nunca fez parte do nosso campo de trabalho", declarou à agência de notícias russa Interfax Mikhail Babich, o representante do Kremlin no distrito federal do Volga.

"Se conhecem todas as bases, onde se armazenaram armas químicas. Shijany não é uma delas", acrescentou Babich, ex-presidente da Comissão de Estado russa para o desarmamento químico.

Shijany é uma cidade fechada, onde está instalada um braço do Instituto de Pesquisa de Estado para a Química e as Tecnologias Orgânicas (GNIIOKhT).

Vários cientistas russos - entre eles, Vil Mirzayanov, o químico que revelou nos anos 1990 a existência do programa Novichok, aquele apontada por Londres como responsável pelo envenenamento de Serguei Skripal - afirmam que a substância foi elaborada nos anos 1980 em Shijany.

Segundo a página on-line do Instituto GNIIOKhT, seu braço de Shijany está envolvido agora em um trabalho relativo a "garantir a segurança" do país e destruir armas químicas.

Em setembro de 2017, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou que Moscou havia destruído suas últimas reservas de armas químicas herdadas da época da Guerra Fria, conforme os termos da Convenção de 1997 sobre a Proibição de Armas Químicas.

A Grã-Bretanha acusa a Rússia do envenenamento em solo britânico do ex-agente duplo russo Skripal e sua filha Yulia. Moscou desmente firmemente essas acusações, que provocaram uma grave crise diplomática e uma onda histórica de expulsões de diplomatas russos e ocidentais.

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