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Correio Braziliense

Ex-presidente sul-coreana é condenada a 24 anos de prisão por corrupção

A sentença acaba com mais de dez meses de julgamento, no qual Park Geun-hye foi considerada culpada em várias acusações, entre elas abuso de poder e corrupção


postado em 06/04/2018 11:00 / atualizado em 06/04/2018 14:02

(foto: Jung Yeon-Je/ AFP)
(foto: Jung Yeon-Je/ AFP)
Seul, Coreia do Sul  -
A ex-presidente sul-coreana Park Geun-hye foi condenada nesta sexta-feira (6/4) a 24 anos de prisão por um escândalo de corrupção, ponto final da dramática queda em desgraça da primeira mulher eleita chefe de Estado na Coreia do Sul.

A sentença acaba com mais de dez meses de julgamento, no qual Park foi considerada culpada em várias acusações, entre elas abuso de poder e corrupção.

Park foi destituída e detida em março de 2017 em função de uma série de suspeitas que revelaram as relações ilícitas entre o poder político e os grandes conglomerados.

O juiz Kim Se-yoon afirmou que Park forçou as empresas sul-coreanas a pagar dezenas de milhões de wones (moeda sul-coreana) a duas fundações controladas por sua confidente e amiga íntima de 40 anos Choi Soon-sil em troca de favores políticos. 

"A acusada usou de maneira ilegal sua autoridade presidencial a pedido de Choi para obrigar as empresas a dar dinheiro para suas fundações", afirmou o magistrado.

"As empresa foram obrigadas a dar somas importantes de dinheiro e a acusada deixou Choi controlar as fundações quando não tinha direito de fazê-la", acrescentou.

Os enormes conglomerados sul-coranos ('chaebols'), em mãos de importantes famílias e com estruturas muito complexas são o motor da economia do país.

Grupos como Samsung e Hyundai tiveram um papel crucial no "milagre econômico" dos anos 1960 e 1970, que transformou um país destruído pela guerra.

A filha mais velha do ditador militar Park Chung-hee chegou ao cargo de presidente apresentando-se como "incorruptível filha da nação".

Park cresceu no Palácio Presidencial, onde seu pai dirigiu o país de 1961 até seu assassinato em 1979.

Durante décadas foi considerada como a "princesa" política do país.

- Manifestações -
A queda da presidente conservadora ocorreu depois de manifestações em massa em todo o país e precipitou eleições antecipadas em maio de 2017, vencidas pelo candidato de centro-esquerda Moon Jae-in.

O novo presidente contribui agora para a espetacular aproximação em curso entre as duas Coreias.

A promotoria pedia 30 anos de prisão para Park, de 66 anos e que em grande parte boicotou as audiências durante os dez meses que durou seu processo, acusando o tribunal de parcialidade.

Levando em conta o grande interesse que o caso gerou na Coreia do Sul, o anúncio da sentença foi transmitido ao vivo pela televisão, algo pouco comum no país.

A ex-presidente, que enfrentava 18 acusações, provocou a ira de uma parte importante da população, pois o caso atiçou o sentimento popular contra os privilégios das elites e das poderosas famílias ao comando dos grandes conglomerados da 11a. primeira economia mundial.

Choi, também julgada em outro processo pelo mesmo tribunal, foi condenada em fevereiro a 20 anos de prisão.

Park está em prisão preventiva há um ano na prisão de Seul. 

Começou a boicotar o julgamento em outubro, depois que teve negada a possibilidade de ser liberada sob fiança.

Desde então, se nega a receber visitas, inclusive da família, mas exceto a de seus dois advogados.

Park poderá recorrer da condenação, mas continuará detida até que seja realizado um novo processo.

Poderá solicitar o indulto presidencial, mas os especialistas opinam que é pouco provável que seja concedido a ela.

A ex-presidente é o terceiro chefe de Estado sul-coreano a ser condenado depois de perder o mandato. 

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