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Correio Braziliense

Maduro chama Macron de 'fantoche de Trump' e 'matador de aluguel'

As ameaças recíprocas entre Pequim e Washington foram quase diárias esta semana


postado em 06/04/2018 15:37

(foto: Venezuelan Presidency/AFP )
(foto: Venezuelan Presidency/AFP )
Washington, Estados Unidos - A China afirmou nesta sexta-feira (6/4) estar disposta a "ir até as últimas consequências, custe o que custar", em sua guerra comercial com os Estados Unidos, após as ameaças do presidente Donald Trump de impor novas tarifas aduaneiras de 100 bilhões de dólares.

As ameaças recíprocas entre Pequim e Washington foram quase diárias esta semana. Nesta sexta-feira, o Ministério chinês do Comércio reagiu imediatamente às últimas declarações de Trump, apesar de ser feriado na China. 

"Se os Estados Unidos ignorarem a oposição da China e da comunidade internacional e insistirem em suas medidas unilaterais e protecionistas, a China está disposta a ir até as últimas consequências, custe o que custar", indicou a pasta em nota. "Não queremos uma guerra comercial, mas não tememos lutar uma", alertou Pequim. 

No entanto, o efeito dessas tensões não abalou tanto os mercados financeiros mundiais. Embora Wall Street tenha recuado na abertura desta sexta-feira, com uma queda de 0,85%, às 14h30 GMT (11H30 de Brasília), a queda foi menor que a registrada após as primeiras disputas entre os dois gigantes econômicos.

Horas antes, Trump ameaçou impor tarifas aduaneiras adicionais às importações chinesas de até 100 bilhões de dólares. Washington já tinha dado, na terça-feira, um passo à frente para o confronto comercial, ao anunciar uma lista de produtos chineses cuja importação seria tarifada em cerca de 50 bilhões de dólares. 

"Pedi ao Departamento de Comércio para examinar se 100 bilhões de dólares adicionais estariam alinhados com a aplicação do Artigo 301 (sobre propriedade intelectual) e, nesse caso, identificar os produtos sobre os quais poderiam ser impostos", disse o presidente dos EUA em seu comunicado.

- Só nas ameaças -

Embora Trump tenha claramente optado por aumentar a pressão respondendo imediatamente às medidas de Pequim, por enquanto elas são só ameaças. "Nada foi ainda aplicado", disse seu assessor econômico Larry Kudlow na sexta-feira, acrescentando: "Vamos ver, esperamos que tudo acabe bem".

Em resposta, Pequim publicou sua própria lista de produtos americanos estratégicos (soja, automóveis, aeronáutica), por 50 bilhões de dólares. 

A China também protestou formalmente contra os Estados Unidos, na quinta-feira, ante a Organização Mundial de Comércio (OMC) pelas "medidas tarifárias sobre produtos chineses" que Washington considera aplicar. Esta sexta, em um de seus habituais tuítes matinais, Trump afirmou que a "OMC é injusta com os Estados Unidos".

"A China, que é uma grande potência econômica, é considerada um país em desenvolvimento dentro da Organização Mundial do Comércio. Por isso recebe enormes benefícios e vantagens, especialmente em relação aos Estados Unidos. Alguém por acaso acha que isso é justo? Estamos mal representados. A OMC é injusta conosco", afirmou em seu Twitter.

O representante comercial americano (USTR), Robert Lighthizer, afirmou em nota que as medidas de represália comercial entrariam em vigor apenas depois de um processo de consulta pública. 

De acordo com Lighthizer, "Trump propõe uma resposta apropriada para a ameaça recente da China de impor novas tarifas aduaneiras. Após uma investigação detalhada, o escritório do USTR encontrou provas irrefutáveis de que as ações da China ameaçavam a economia americana". Além disso, o USTR denunciou novamente práticas chinesas que, segundo os americanos, constituem roubo de propriedade intelectual das empresas americanas que desejam fazer ou fazem negócios na China.

 Em defesa do comércio mundial 

A China é um dos principais alvos neste assunto. O déficit comercial americano ante Pequim (375,2 bilhões de dólares) levou Trump a pedir para autoridades chinesas "reduzirem imediatamente" este déficit em 100 bilhões de dólares. Trump quer combater o déficit comercial dos Estados Unidos, considerado um resultado da fraqueza de seus antecessores. 

Segundo especialistas, em seus anúncios de represália, a China incluiu produtos estratégicos na sua lista, para afetar o mais duramente possível as regiões que votaram a favor de Trump, uma forma de exercer um máximo de pressão sobre o mandatário.

Neste contexto, a China pediu nesta sexta-feira à União Europeia que atuem juntos contra o protecionismo dos Estados Unidos. "A China e a União Europeia têm por responsabilidade fazer respeitar a ordem comercial multilateral baseado em regras. Temos que agir juntos", afirmou o embaixador chinês ante a UE, Zhang Ming.

"Os Estados Unidos dão as costas às regras reconhecidas internacionalmente", acrescentou, alertando contra "o retorno da lei da selva" no comércio internacional. O ministro chinês de Relações Exterior, Wang Yi, que visitou Moscou na quinta-feira, pediu uma mobilização internacional contra Washington por suas "ações unilaterais e violação de normas". 

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