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Correio Braziliense

Zuckerberg pede desculpas aos EUA sobre abuso de dados no Facebook

Segundo seu testemunho por escrito, Zuckerberg repetiu uma declaração que havia feito anteriormente, afirmando que o mau uso de dados "foi meu erro e sinto muito" por isso


postado em 10/04/2018 16:45 / atualizado em 10/04/2018 19:44

O bilionário empresário de 33 anos participa de uma audiência em uma sessão conjunta de duas comissões do Senado(foto: Jim Watson/ AFP )
O bilionário empresário de 33 anos participa de uma audiência em uma sessão conjunta de duas comissões do Senado (foto: Jim Watson/ AFP )
Washington, Estados Unidos - O fundador e diretor executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, pediu desculpas formalmente nesta terça-feira (10/4) ante o Senado por falhas de segurança da rede social que permitiu o uso abusivo de dados privados de seus usuários.

"Não adotamos uma visão ampla o suficiente de nossa responsabilidade, e foi um erro enorme. Foi meu erro, e sinto muito. Eu comecei o Facebook, eu o administro, e sou responsável pelo ocorrido", disse Zuckerberg a senadores americanos.

O empresário bilionário de 33 anos participa de uma audiência em uma sessão conjunta de duas comissões do Senado, em pleno escândalo provocado pelas denúncias sobre o uso não autorizado de dados pessoais dos usuários.

O mais grave capítulo do escândalo foi a revelação de que estes dados foram usados de forma não autorizada pela consultoria Cambridge Analytica para definir a retórica de Donald Trump em sua vitoriosa campanha à Casa Branca em 2016.

Os senadores interrogam Zuckerberg sobre a forma como o modelo de negócios do Facebook (e suas plataformas associadas) recolhem e utilizam informações baseadas em dados gerais dos próprios usuários.


Modelo questionado 

Na abertura da audiência, o senador Chuck Grassley afirmou que este escândalo mostrou que os usuários de redes sociais "não entenderam por completo a quantidade de seus dados que são coletados, protegidos, transferidos, usados e abusados".

Parte do interrogatório a Zuckerberg se concentrou nos esforços do Facebook para evitar a divulgação de informações falsas e a alegada influência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos. O executivo disse que o Facebook desenvolveu ferramentas baseadas em inteligência artificial e que a empresa ampliou o número de funcionários para combater esses problemas.

"Há pessoas na Rússia cujo trabalho é tentar explorar nossos sistemas, e outros sistemas cibernéticos", disse. "Então, é como uma corrida armamentista. Eles se tornam melhores e nós temos que nos tornar melhores também".

Zuckerberg apontou também que o Facebook pode ter recebido intimações judiciais para colaborar com a investigação liderada pelo procurador especial Robert Mueller sobre a ingerência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016.

"Nosso trabalho com o procurador especial é confidencial", disse Zuckerberg no Senado, acrescentando que "poderia haver" intimações a funcionários do Facebook, "mas sei que estamos trabalhando com eles".

"Quero ser cuidadoso porque quero ter certeza de que podemos discutir isto em uma audiência pública e revelar algo que é confidencial", acrescentou. No entanto, pouco antes havia afirmado que ele mesmo nunca tinha sido entrevistado por agentes da equipe do procurador Mueller.

Ameaças de regulação 

Na segunda-feira, Zuckerberg realizou uma visita ao Congresso para reuniões privadas com vários legisladores, que lhe explicaram que as pressões em favor de uma maior regulação das redes sociais estão aumentando.

O senador democrata Bill Nelson disse à imprensa, depois de se reunir em seu gabinete com o criador do Facebook, que o empresário parecia estar levando a questão "muito a sério". "Acredito que entendeu que uma maior regulação pode estar próxima", afirmou.

O senador republicano John Kennedy rejeitou a ideia de mais regulação, um cenário que horroriza os conservadores. "Não estou interessado em regular o Facebook. Quero que o Facebook regule a si mesmo", apontou.

Enquanto dentro do Senado Zuckerberg era submetido a interrogatório, um dos jardins externos do Capitólio era palco de um protesto. Com dezenas de bonecos de papelão com a imagem de Zuckerberg, manifestantes reclamavam da demora da empresa em adotar medidas para proteger os dados de seus usuários.

Investigada e denunciada em ambos os lados do Atlântico, a rede social começou na segunda-feira a informar os usuários cujos dados podem ter caído nas mãos da Cambridge Analytica. O Facebook anunciou, nesta terça-feira, que recompensará as denúncias apresentadas sobre o uso abusivo de dados pessoais.

A empresa "premiará as pessoas com conhecimento direto e provas de casos em que um aplicativo da plataforma do Facebook colete e transfira dados dos usuários a terceiros para sua venda, roubo, fraude ou influência política", apontou o chefe de segurança de produtos da empresa, Collin Greene.

O valor será "baseado no impacto de cada relato", disse Greene, com um mínimo de 500 dólares para casos verificados que afetem 10.000 pessoas ou mais.

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