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Correio Braziliense

Diretor da Porsche é preso na Alemanha

A identidade do preso não foi divulgada, mas um porta-voz da Procuradoria confirmou a prisão, na quarta-feira, de um suspeito por "risco de fuga e ocultação de provas"


postado em 20/04/2018 18:08



Berlim, Alemanha -
Um diretor da Porsche foi preso provisoriamente na Alemanha no âmbito do escândalo dos motores a diesel manipulados, o "dieselgate", informou a empresa de veículos de luxo nesta sexta-feira (20/4). O conselheiro-delegado da Porsche, Oliver Blume, "informou os funcionários que a Procuradoria de Stuttgart tinha decretado a prisão preventiva de um diretor", explicou à AFP um porta-voz da empresa. 

Segundo os jornais alemães Bild e Wirtschaftwoche, trata-se de Jörg Kerner, antigo diretor de motores da Porsche, que trabalhava na Audi, outra marca do mesmo grupo, quando o escândalo veio à tona. 

A identidade do preso não foi divulgada, mas um porta-voz da Procuradoria confirmou a prisão, na quarta-feira, de um suspeito por "risco de fuga e ocultação de provas", logo após operações de busca e apreensão contra dois diretores e um ex-diretor da Porsche. Ele foi preso na noite de quinta-feira. 

(foto: Marijan Murat /AFP)
(foto: Marijan Murat /AFP)


Segundo o Bild e o jornal local Stuttgarter Nachrichten, um parente avisou ao diretor que sua casa era alvo da operação na quarta-feira, quando ele ia ao trabalho. Ele deu meia-volta e retornou para casa, um comportamento que autoridades alemãs interpretaram como tentativa de fuga, justificando sua prisão, afirmaram os veículos de imprensa. 

 Porsche se defende  
Na mensagem que enviou aos trabalhadores, o conselheiro-delegado da Porsche negou qualquer responsabilidade de sua marca no escândalo do diesel. "A Porsche não desenvolve, nem produz motores a diesel, ou softwares associados", garantiu nesta sexta Blume.

Ele disse que os programas instalados nos motores a diesel para manipular as emissões são "inadmissíveis" e afirmou que a Porsche não sabia nada sobre o caso. Mas, segundo o comunicado, a Procuradoria acusa os dois diretores e o ex-diretor da Porsche atingidos pela investigação de terem "sabido que dispositivos não autorizados estavam sendo instalados nesses motores". 

"Rejeitamos essas acusações e faremos o que for possível para pôr tudo em ordem", prometeu Blume. Mais de 160 policiais e 30 magistrados foram mobilizados na quarta-feira em uma ampla operação de busca e apreensão em dez endereços de Baviera e Baden-Wurtemberg (sul).

São as primeiras operações contra a Porsche neste caso, que afeta o conjunto do grupo Volkswagen, proprietário desta marca de luxo, desde o fim de 2015. A VW admitiu ter equipado 11 milhões de veículos a diesel com um software que manipulava testes de emissões de poluentes - que superavam em até 40 vezes os limites autorizadas.

Na semana passada, a gigante automotiva alemã destituiu seu CEO Matthias Müller, que também está sendo investigado, e nomeou o austríaco Herbert Diess para substituí-lo. Ao contrário de Müller, Diess, que chegou ao grupo em 2015, depois de passar pela BMW, não está na mira da Justiça e parece menos vulnerável aos muitos processos em andamento.

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