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Correio Braziliense

Vulcão de Fogo deixa 73 mortos e 192 desaparecidos na Guatemala

O aumento da atividade vulcânica provocou pânico na cidade de Escuintla, perto do vulcão, onde moradores entraram em seus automóveis para sair do lugar, provocando um caos no tráfego de veículos


postado em 05/06/2018 22:50 / atualizado em 05/06/2018 22:52

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(foto: ORLANDO ESTRADA/AFP )
A erupção do Vulcão de Fogo na Guatemala, há dois dias, deixou 73 mortos e 192 desaparecidos, informou a Defesa Civil, enquanto uma forte explosão estremecia nesta terça-feira as zonas já devastadas.

"Já temos nomes e localidades onde há pessoas desaparecidas e um número: 192", disse em entrevista coletiva o secretário da Coordenadoria para a Redução de Desastres (Conred), Sergio Cabañas.

As autoridades têm o registro de 73 mortos e de milhares de pessoas desabrigadas.

Sete comunidades foram evacuadas nesta terça-feira pelo aumento da atividade vulcânica, após o qual se suspenderam as operações de resgate, disse a jornalistas o porta-voz da Coordenadoria para a Redução de Desastres (Conred), David de León.

De León explicou que, segundo análises de especialistas, novamente poderiam ser registrados fluxos piroclásticos, que estão formados de lava, água, varas e pedras que descendem do cume do colosso, de 3.763 metros de altura e situado 35 km ao sudoeste da capital.

O aumento da atividade vulcânica provocou pânico na cidade de Escuintla, perto do vulcão, onde moradores entraram em seus automóveis para sair do lugar, provocando um caos no tráfego de veículos.

Um fotógrafo da AFP no local disse que se escutou um forte estrondo e depois uma grande coluna de cinzas se elevou pelos céus, o que obrigou as autoridades a evacuarem todas as pessoas que se encontravam nessa zona.

Foram retirados os socorristas, policiais e militares que realizavam tarefas de resgate de vítimas.

A busca se estenderá por vários dias, embora as autoridades tenham admitido que será quase impossível encontrar sobreviventes devido à natureza da erupção, que arrasou vários povoados próximos com uma avalanche de lava e cinzas no domingo passado.

"Vamos continuar até encontrarmos a última vítima, embora não saibamos quantas vítimas há. Mas vamos fazer buscas na área quantas vezes for preciso", disse à AFP o diretor da Conred, Sergio Cabañas.

Uma mulher de 42 anos que tinha perdido as pernas e um braço após a erupção morreu no Hospital Geral San Juan de Dios, na capital, informaram suas autoridades. Outros quatro menores de idade queimados serão transferidos a um hospital especializado nos Estados Unidos.

O Inacif indicou que, até o momento, apenas 17 pessoas falecidas puderam ser identificadas por meio "das impressões digitais e por características físicas".

Além disso, a tragédia deixa 46 feridos, 3.271 evacuados e 1.877 abrigados nos departamentos de Escuintla (sul) e Sacatepéquez (oeste). Junto com o de Chimaltenango (oeste), estes são os mais afetados pela erupção vulcânica, segundo números da Conred.

Difícil encontrar sobreviventes

Cabañas reiterou que as autoridades não conseguiram estabelecer um número de desaparecidos e que, oficialmente, têm conhecimento de apenas dois socorristas. Mas as esperanças de encontrar sobreviventes se desvanecem.

"Se estiverem presos no fluxo piroclástico, é difícil encontrá-los com vida. Haverá, inclusive, pessoas que podem ter sido carbonizadas e que não será possível encontrá-las", disse.

"Continuaremos enquanto for necessário e sempre observando as medidas de segurança", acrescentou, referindo-se sobre possíveis desprendimentos nas encostas do vulcão, onde se acumulou uma enorme quantidade de sedimento.

Na segunda-feira à noite, o presidente Jimmy Morales reforçou que as tarefas de busca e resgate continuarão o tempo que for necessário.

A Presidência anunciou que, nesta terça, o governo começará a definir o plano de ação para iniciar o mais rápido possível a tarefa de reconstrução das áreas devastadas

'Repouso ativo'

O diretor do estatal Instituto de Vulcanologia, Eddy Sánchez, disse à AFP que, após a forte erupção de domingo, o vulcão liberou "muita energia" e entrou em uma fase de "repouso ativo". Isso significa que, embora possa gerar explosões fortes, não chegariam "a ser catastróficas" nos próximos meses.

O papa Francisco ofereceu nesta terça-feira "orações por todos os que sofrem as consequências desse desastre natural".

O vulcão de Fogo havia gerado sua primeira erupção de 2018 em janeiro passado.

Além disso, provocou em setembro de 2012 a última emergência por erupção no país, causando a evacuação de cerca de 10.000 habitantes assentados em povoados ao sul do vulcão.

Na Guatemala, também estão ativos os vulcões Santiaguito (oeste) e Pacaya (20 km ao sul da capital).

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