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Correio Braziliense

Sósia de Kim Jong-un é barrado em Cingapura antes da cúpula

Sósia conhecido por nome artístico de Howard X ganhou atenção mundial nos últimos meses por sua imitação do líder da Coreia do Norte. Ele falou ao Correio sobre a cúpula histórica entre líderes da Coreia do Norte e dos EUA


postado em 08/06/2018 08:19 / atualizado em 08/06/2018 09:36

O falso Kim Jong-un admite que a imitação do ditador tem sido um trabalho bastante lucrativo(foto: Anthony Wallace/AFP)
O falso Kim Jong-un admite que a imitação do ditador tem sido um trabalho bastante lucrativo (foto: Anthony Wallace/AFP)
Por onde quer que vá, ele atrai olhares curiosos e desperta horror e espanto. De vez em quando, as reações das autoridades são um pouco mais severas. Ao desembarcar, às 3h30 de hoje (16h30 de ontem em Brasília), no Aeroporto de Changi, em Cingapura, o australiano Howard X — ele diz ter quase 40 anos de idade — foi barrado pela Imigração. “Eles me liberaram depois de duas horas de interrogatório. Perguntaram sobre minhas visões políticas e se eu tenho participado de protestos. Eles sabiam quem eu sou e me aconselharam a ficar longe da Ilha de Sentosa e do Shangri-La”, afirmou ao Correio, por meio do Skype, em alusão ao local da cúpula entre Kim Jong-un e Donald Trump e ao hotel onde o presidente norte-americano provavelmente ficará hospedado. “Quero estar aqui para este momento histórico”, acrescentou. Desde 2012, Howard encarnou o papel de sósia do ditador norte-coreano.

“Acredito que a cúpula trará grandes resultados, porque falar sempre produz coisas boas, principalmente no âmbito oficial. Eu realmentre creio que Kim e Trump são pessoas assim como nós. Acho que eles se sairão bem”, explicou. Durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, em fevereiro passado, Howard X e um sósia de Trump — que acabou se tornando parceiro de negócios — foram expulsos da cerimônia de abertura, ao dançar e agitar a bandeira da Coreia unificada diante de líderes da torcida norte-coreana.

O falso Kim Jong-un admite que a imitação do ditador tem sido um trabalho bastante lucrativo. “Além de atender a imprensa, me envolvo em atividades de marketing e agencio sósias de personalidades mundiais, o que me ajudou a capitalizar um bom dinheiro. Após a cooperação com o sósia de Trump, os trabalhos começaram a aparecer e o pagamento tem sido em dólares”, brincou. “Tenho viajado o mundo, para lugares que jamais imaginava, como Rússia, Ucrânia, Israel, Líbano, Irã e Hollywood. Estou surpreso com tantas portas que se abriram para mim.”

Relacionamento com a música brasileira

Howard mantém fortes laços com o Brasil, especialmente com a música brasileira. Ele esteve nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, onde circulou pela área VIP, assistiu ao discurso do presidente Michel Temer e participou da cerimônia de encerramento. “Amo o Brasil e passei um tempo por aí produzindo música. Quando me aposentar, quero viver em seu país. Vocês têm o que há de mais importante na vida: mulheres, futebol e música”, comentou.

Se pudesse ficar cara a cara com Kim Jong-un, o produtor musical que virou sósia do ditador não hesitaria em fazer um pedido. “Eu diria a ele: ‘Kim, feche os campos de concentração e dê ao seu povo liberdade e comida. Você ainda pode mudar’”, disse.

(foto: Anthony Wallace/AFP)
(foto: Anthony Wallace/AFP)

Um pé na bossa nova

Howard X produziu o álbum Bossa Negra e foi nomeado finalista na categoria “Melhor Produtor de Álbum” do Golden Melody Awards deste ano — prêmio equivalente ao Grammy Awards na China. “Quase todos os músicos e produtores envolvidos neste trabalho ganharam o Grammy latino. Eles fazem parte das bandas de Djavan e de João Bosco. O álbum foi gravado em mandariam, em cantonês e em inglês”, disse ao Correio o sósia de Kim Jong-un. “Trata-se da primeira colaboração já feita entre músicos chineses e brasileiros.” Trechos das músicas podem ser acessados em https://bossanegra.bandcamp.com/


Duas perguntas para

Howard X, australiano, um dos sósias mais famosos do ditador norte-coreano, Kim Jong-un

Por que e quando decidiu imitar Kim Jong-un?

Eu comecei a fazer isso em abril de 2012. O que ocorreu foi que eu publiquei umas fotos minhas na internet. Eu tenho um paletó e calças de cor preta. Quando divulguei as imagens vestido como Kim Jong-un, fiz um site específico sobre essa personificação. Eu percebi que me parecia com ele em dezembro de 2011, depois que o pai dele (Kim Jong-il) morreu e ele foi apresentado ao mundo. Algumas pessoas disseram que eu me parecia com o líder norte-coreano. Então, decidi ganhar algum dinheiro com isso.

Você não teme por sua segurança, ao satirizar o líder de um regime tirânico?

Não, eu não temo nada. Isso porque tenho o privilégio de viver em uma democracia. Bem... Eu não diria democracia, pois vivo em Hong Kong, ao menos um país livre, onde se tem a liberdade de expressão. A China é um dos principais parceiros da Coreia do Norte. Eles não fariam nada com um cidadão chinês. Então, não tenho medo (risos).

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