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Correio Braziliense

Kim e Trump falam sobre encontro: 'relação fantástica' e 'caminho difícil'

"Os velhos preconceitos e práticas funcionaram como obstáculos no nosso caminho, mas superamos todos eles e estamos aqui hoje", disse o líder norte-coreano


postado em 11/06/2018 22:33 / atualizado em 12/06/2018 00:44

(foto: Saul Loeb/AFP)
(foto: Saul Loeb/AFP)
 
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previu, em Cingapura, que terá uma "relação fantástica" com Kim Jong Un, da Coreia do Norte. "Nós vamos ter um ótimo relacionamento, eu não tenho dúvida", disse Trump sorrindo ao lado Kim, diante de jornalistas do mundo todo. 
 
Já Kim Jong Un disse que Coreia do Norte e os Estados Unidos superaram o obstáculo de uma história difícil a fim de realizar a cúpula. "O caminho para chegar até aqui não foi fácil", Kim disse, sentando-se à mesa com Trump. "Os velhos preconceitos e práticas funcionaram como obstáculos no nosso caminho, mas superamos todos eles e estamos aqui hoje". 
 
Os dois líderes chegaram para a conversa exatamente dentro do horário previsto, às 22h desta segunda-feira (11/6) — horário de Brasília. Com trajetórias e estilos radicalmente diferentes e com mais de 30 anos de diferença, os dois homens deixaram seus respectivos hotéis pouco depois das 8h local (21h de Brasília de segunda-feira).  
 
Depois, caminharam um em direção ao outro e trocaram o aperto de mãos em um luxuoso hotel de Cingapura, antes de participarem de uma série de reuniões com ramificações para todo o mundo. 

Mas, apesar da espetacular aproximação diplomática dos últimos meses, persistem muitas dúvidas sobre a cúpula entre os dois dirigentes.
 

Trump, que tem pouco mais de 500 dias na Casa Branca, vive um dos momentos mais importantes de sua Presidência no cenário internacional, onde tem desagradado muitos líderes, inclusive alguns dos aliados dos Estados Unidos. 

Em uma série de tuítes postados horas antes do evento em Cingapura, Trump indicou que os preparativos do encontro "iam bem". "Em breve todos saberemos se pode haver ou não um acordo real, diferentemente dos do passado", tuitou, antes de atacar em outra mensagem os "haters e perdedores" que consideram uma concessão arriscada a Kim, com quem o presidente americano trocou ameaças e insultos durante meses.

Encontro


Em uma rápida declaração a jornalistas, Trump previu uma "relação fantástica" com Kim Jong Un. "Nós vamos ter um ótimo relacionamento, eu não tenho dúvida". Kim destacou que seu país e os Estados Unidos superaram muitas dificuldades de uma história difícil para realizar a cúpula em Cingapura. "O caminho para chegar até aqui não foi fácil. Os velhos preconceitos e práticas funcionaram como obstáculos no nosso caminho, mas superamos todos eles e estamos aqui hoje".

Os dois homens, de trajetórias e estilos radicalmente diferentes e com mais de 30 anos de diferença, conversaram cara a cara, com o auxílio de seus intérpretes, durante 48 minutos.

Em seguida, iniciaram uma reunião com suas respectivas equipes, antes de um almoço de trabalho após o qual será concluída a cúpula histórica. Apesar da espetacular aproximação diplomática dos últimos meses, persistem muitas dúvidas sobre a cúpula entre os dois dirigentes.

Trump, que tem pouco mais de 500 dias na Casa Branca, vive um dos momentos mais importantes de sua Presidência no cenário internacional, onde tem desagradado muitos líderes, inclusive alguns dos aliados dos Estados Unidos. 

Em uma série de tuítes postados horas antes do evento em Singapura, Trump indicou que os preparativos do encontro "iam bem". "Em breve todos saberemos se pode haver ou não um acordo real, diferentemente dos do passado", tuitou, antes de atacar em outra mensagem os "haters e perdedores" que consideram uma concessão arriscada a Kim, com quem o presidente americano trocou ameaças e insultos durante meses.

A desenvoltura de Kim

Kim Jong Un, que até este ano não havia realizado nenhuma visita oficial ao exterior, aparentou desenvoltura diante das câmeras durante seu encontro com o premiê cingapuriano. Na noite de segunda-feira, o líder norte-coreano, que chefia um dos países mais fechados do mundo, desfrutou de um passeio em Cingapura e visitou, visivelmente encantando, os locais turísticos mais emblemáticos da cidade. 

O arsenal nuclear norte-coreano, que provocou uma série de sanções da ONU ao longo dos últimos anos, será a questão central das conversações. O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, que se reuniu duas vezes com Kim Jong Un em pouco tempo, assegurou na segunda que as conversas entre Washington e Pyongyang haviam avançado rapidamente nos últimos encontros e se disse "muito otimista sobre as possibilidades de sucesso". 

Pompeo afirmou que os Estados Unidos estavam dispostos a aportar à Coreia do Norte "garantias de segurança únicas, diferentes" das propostas feitas até agora, em troca de uma desnuclearização "completa, comprovável e irreversível".

A Coreia do Norte, que multiplicou desde 2006 os testes nucleares e balísticos, se declarou favorável à desnuclearização, embora nunca tenha entrado em detalhes sobre a forma de realizá-la.

"Desde o primeiro momento"

 
Trump, que costuma se vangloriar de sua capacidade de negociação e de seu instinto, assegura que saberá "desde o primeiro minuto" de seu encontro com o líder norte-coreano se ele estará disposto a avançar. A incógnita agora é saber se, apesar dos preparativos caóticos e dos sinais às vezes contraditórios enviados pelo governo Trump, o atípico presidente americano conseguirá o que nenhum de seus antecessores conseguiu.

Analistas e historiadores acreditam haver uma possibilidade, mas lembram que o regime de Pyongyang tem um histórico de promessas descumpridas. Em 1994 e em 2005 foram fechados acordos nunca aplicados. "Trump provavelmente cantará vitória seja qual for o resultado da cúpula, mas a desnuclearização da península coreana é um processo que vai levar anos", avalia Kelsey Davenport, da Arms Control Association. A "verdadeira prova" será "a adoção ou não pela Coreia do Norte de medidas concretas para reduzir a ameaça que representam suas armas nucleares". 

O chefe da diplomacia americana garante, no entanto, que a situação é totalmente  diferente desta vez e que o encontro dará frutos. "Só há dois homens que podem tomar decisões de tamanha importância. Estes dois homens estarão sentados na mesma sala", afirmou Pompeo na véspera da cúpula.

Com informações da Agência France-Presse  

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