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Correio Braziliense

Coreia do Norte, uma 'prisão a céu aberto'

"Não deveriam se deixar enganar pelo sorriso de Kim nesse show político", reagiu Choi Jung-hun, um desertor norte-coreano


postado em 12/06/2018 10:36

(foto: Saul Loeb/AFP)
(foto: Saul Loeb/AFP)
Apesar da ofensiva de charme sem precedentes de Kim Jong-un em Cingapura, a Coreia do Norte continua a ser uma "prisão a céu aberto" - lembram os defensores dos direitos humanos.

Entre Donald Trump descrevendo-o, nesta terça-feira (12/6), como um homem que quer "fazer o que é justo" e conterrâneos gritando "nós amamos você", Kim Jong-un multiplicou as tentativas incomuns de parecer simpático, em especial, com uma sorridente selfie com o chefe da diplomacia de Cingapura.

"Alguns dizem que Kim é 'encantador', ou 'mais simpático do que se esperava', mas não deveriam se deixar enganar pelo sorriso de Kim nesse show político", reagiu hoje Choi Jung-hun, um desertor norte-coreano que vive em Seul.

Ele pede à comunidade internacional para não esconder "o lado sombrio por trás desse reality show diplomático".

"Eu tinha realmente a esperança de que Trump abordasse a questão dos direitos humanos durante seu encontro com Kim", lamentou, evocando o destino dos "pobres norte-coreanos que apodrecem na prisão".

Donald Trump garantiu ter falado de direitos humanos com Kim Jong-un, mas ignorou a pergunta de um jornalista sobre o destino de Otto Wambier, um estudante americano morto depois de passar mais de um ano preso na Coreia do Norte.

A dinastia Kim dirige a Coreia do Norte com mão de ferro há três gerações.

Antes mesmo da cúpula de terça, mais de 300 organizações de defesa dos direitos humanos, entre elas a Human Rights Watch, fizeram um apelo a Pyongyang para que avance nesta área.

Homicídios, torturas, sequestros
Em um relatório anual sobre os direitos humanos no mundo para 2017, o Departamento de Estado americano acusou a Coreia do Norte, em abril, de cometer uma série de violações aprovadas pelo governo: de homicídios extrajudiciais a atos de tortura, passando pela repressão dos dissidentes e pelos sequestros no exterior.

Kim Jong-un é acusado de estar por trás da execução do próprio tio, Jang Song-thaek, em 2012, por "traição", ou ainda do assassinato de seu meio-irmão, Kim Jong-nam, em um aeroporto da Malásia, em 2017.

"Kim Jong-un está tentando ganhar uma estatura internacional de homem de Estado, mas seus esforços serão em vão, se continuar a presidir um país que continua a ser a maior prisão a céu aberto do mundo", reagiu o diretor da Human Rights Watch na Ásia, Brad Adams.

A HRW lembra que algumas sanções impostas a Pyongyang são ligadas a seus abusos dos direitos humanos, e não apenas a seu programa nuclear.

"Será muito decepcionante se a situação catastrófica dos direitos humanos na Coreia do Norte for completamente omitida em pleno degelo das relações diplomáticas", afirmou a Anistia Internacional, que fala da "quase total negação dos direitos humanos" na Coreia do Norte.

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