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Correio Braziliense

Luto e revolta no aniversário do incêndio da Torre Grenfell de Londres

Em um bairro da zona oeste da capital britânica ainda traumatizado pelo desastre que provocou 71 mortes na madrugada de 13 a 14 de junho de 2017, muitos expressam a frustração com os políticos e os bombeiros


postado em 13/06/2018 11:21

As autoridades não explicaram porque até hoje ninguém foi detido como resultado da investigação(foto: Niklas Halle´n/AFP )
As autoridades não explicaram porque até hoje ninguém foi detido como resultado da investigação (foto: Niklas Halle´n/AFP )

 
Londres, Reino Unido - A indignação e a sede de justiça se misturam à dor no primeiro aniversário do incêndio da Torre Grenfell, um prédio de apartamentos sociais em Londres, o mais grave no país desde a Segunda Guerra Mundial.

Em um bairro da zona oeste da capital britânica ainda traumatizado pelo desastre que provocou 71 mortes na madrugada de 13 a 14 de junho de 2017, muitos expressam a frustração com os políticos e os bombeiros.

"Não entendo por quê, como país, não armamos um escândalo, por quê não afirmamos ao governo o que deve mudar já", disse Tasha Brade, uma vizinha e integrante da campanha Justice4Grenfell ("Justiça para Grenfell"), que apoia os sobreviventes e as famílias das vítimas.

As autoridades não explicaram porque até hoje ninguém foi detido como resultado da investigação ou porque não foi proibido o revestimento exterior que contribuiu para a rápida propagação das chamas. Além disso, as vítimas não entendem o que levou os bombeiros que chegaram ao local para combater o incêndio a solicitar que os moradores da Torre não deixassem os seus apartamentos, uma ordem que não foi retirada por duas horas.

A transferência lenta dos afetados também causa perplexidade, porque 43 das 203 famílias afetadas permanecem em hotéis. "As vítimas não receberam o que precisavam", afirma Vassiliki Stavrou-Lorraine, que mora há 34 anos em um prédio diante do local em que ficava a Torre Grenfell. "As pessoas sofrem "depressão e estresse pós-traumático".

'Abandonados à morte'

O incêndio começou na cozinha de um apartamento do arranha-céus de 24 andares e se propagou com grande rapidez. Setenta e uma pessoas morreram e uma mulher grávida perdeu o bebê, um aborto atribuído à tragédia. O edifício havia sido construído em 1974 e passou por uma reforma entre 2014 e 2016, quando recebeu o revestimento que muitos interpretaram como uma tentativa de esconder um prédio feio no bairro de Kensington e Chelsea.

O material do revestimento nunca havia passado por testes de combate ao incêndio e não respeitavas as normas de segurança, de acordo com o relatório da perícia. "O fato é que nossos parentes são recordados agora porque foram abandonados à morte", escreveu no jornal The Guardian Karim Mussilhy, que perdeu o tio na tragédia.

Kerry O'Hara, sobrevivente, declarou à AFP: "Fico feliz por não ter seguido aquela ordem de permanecer no apartamento e odeio pensar no que teria acontecido se tivesse ficado".

May pede desculpas

A primeira-ministra Theresa May foi muito criticada, depois de visitar o local da tragédia e evitar o contato com as vítimas. Também é criticada por não ter proibido o revestimento usado na Torre. Na segunda-feira, ela pediu desculpas por ter se reunido apenas com as equipes de resgate na polêmica primeira visita a Grenfell, quando fumaça ainda saía do edifício.

O clube de boxe que ficava no térreo do prédio foi totalmente destruído e transferido para um local próximo.  Um dos treinadores, Moutaz Chellat, perdeu cinco parentes na tragédia - o tio, a tia e os três filhos do casal."Os meninos são muito resistentes e se recuperam rapidamente, mas os adultos se apegam e não administramos muito bem este tipo de situação", declarou à AFP Joe Sweeney, que trabalha há três anos no clube, que formou dois campeões do mundo - George Groves e James DeGale.

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