Publicidade

Correio Braziliense

Oposição nicaraguense anuncia ofensiva para derrubar Ortega

Ao menos 285 pessoas morreram - incluindo mais de 20 menores - desde o início dos protestos, em 18 de abril


postado em 27/06/2018 19:42 / atualizado em 27/06/2018 19:47

Ao menos 285 pessoas morreram - incluindo mais de 20 menores - desde o início dos protestos, em 18 de abril(foto: AFP / Marvin Recinos)
Ao menos 285 pessoas morreram - incluindo mais de 20 menores - desde o início dos protestos, em 18 de abril (foto: AFP / Marvin Recinos)

 
A oposição nicaraguenses convocou nesta quarta-feira, 27/6, uma série de protestos contra o governo do presidente Daniel Ortega para forçar sua saída do poder, em meio à visita das missões de ONU e OEA.

A Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia - que reúne estudantes, empresários, camponeses e outros grupos da sociedade civil - convocou um plantão para esta quarta-feira e uma passeata para sábado, para recordar os mais de 212 mortos em dois meses de protestos.

"Estamos nos reorganizando porque isto não termina até que o ditador saia do poder", declarou um jovem com o rosto coberto durante entrevista coletiva na Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (UNAN), onde estão entrincheirados dezenas de estudantes.

Governo e oposição retomaram na segunda-feira, 25/6, o diálogo em busca de uma saída para a crise, mas as negociações se estancaram com a negativa de Ortega de responder a proposta da Igreja para se antecipar as eleições de 2021 para março de 2019.

"Estamos em uma heroica batalha pela paz e o futuro do país", declarou à TV estatal Canal 4 a vice-presidente e mulher de Ortega, Rosario Murillo, 67 anos, que muitos identificam como o verdadeiro poder.

Ortega, um ex-guerrilheiro de esquerda de 72 anos, que conclui seu terceiro mandato consecutivo em  janeiro de 2022, é acusado pela Aliança de reprimir brutalmente os protestos e instaurar o nepotismo e um governo autocrático.

"Que partam logo", dizia um enorme cartaz carregado por líderes estudantis e camponeses na UNAN aos gritos de "Justiça!".

A Aliança Cívica tenta aproveitar que missões da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)  e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos estão no país, o que reduz o risco de repressão. 

"A situação é muito preocupante (...) e esperamos realmente que acabe a violência de todas as partes e as violações dos direitos humanos. Esperamos encontrar uma solução pacífica para a crise na Nicarágua", declarou ao Canal 100% Notícias Alicia Londoño, integrante da missão da ONU.

Forças combinadas da polícia, parapoliciais e paramilitares continuam entrando em povoados e cidades para remover barricadas montadas por manifestantes, que têm paralisado o país.

A Aliança convocou a população a comparecer nesta quinta-feira nas Igrejas com velas e fitas negras, e a cantar o hino nacional na sexta onde se encontrarem. 

Para o sábado foi convocada a "Passeata das Flores" em memória dos jovens mortos, uma mobilização suspensa na semana passada devido a uma violenta incursão da polícia de choque e de paramilitares na UNAN e em alguns bairros da capital.

Segundo a Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH), ao menos 285 pessoas morreram - incluindo mais de 20 menores - desde o início dos protestos, em 18 de abril.

Já o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (CENIDH) verificou 212 óbitos. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade