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Correio Braziliense

Papa nomeia 14 novos cardeais, incluindo um iraquiano e um paquistanês

Francisco estabelece, aos poucos, um colégio cardinalício menos europeu, com integrantes comprometidos com a paz e a justiça social


postado em 28/06/2018 07:32

(foto: Vincenzo Pinto/AFP)
(foto: Vincenzo Pinto/AFP)

 
Cidade do Vaticano, Santa Sé - O papa Francisco vai nomear de modo oficial nesta quinta-feira (28/6) 14 novos cardeais de todos os continentes, incluindo um iraquiano e um paquistanês que defendem os direitos dos católicos em países de maioria muçulmana e três latino-americanos. 

Em caso de conclave, 11 deles (com menos de 80 anos) poderão participar na escolha de um novo papa. Francisco estabelece, aos poucos, um colégio cardinalício menos europeu, com integrantes comprometidos com a paz e a justiça social. 

Entre os novos cardeais que serão nomeados durante um consistório na Basílica de São Pedro do Vaticano está Louis Raphael I Sako, de 69 anos, patriarca da Igreja Católica Caldeia (Iraque, que descreve sua eleição como um "pensamento do papa para os cristãos do Iraque". 

"É nossa terra, estávamos aqui antes da chegada dos muçulmanos", afirmou o clérigo poliglota, que defende o diálogo e recorda que entre 400.000 e 500.000 cristãos vivem no país, contra 1,5 milhão antes da queda do regime de Saddam Hussein em 2003. 

Joseph Coutts, arcebispo de Karachi, Paquistão, promove o diálogo entre cristãos e muçulmanos, e luta contra os abusos relacionados aos crimes de blasfêmia, em um país onde as igrejas estão sob proteção policial por culpa das ameaças dos grupos muçulmanos extremistas. 

O arcebispo de Toamasina (Madagascar), Désiré Tsarahazana, é o único representante da África entre os novos cardeais.

"O povo sofre e precisa receber apoio", afirmou ao tomar conhecimento de sua nomeação. 

Um dos três novos prelados da América Latina, o arcebispo jesuíta de Huancayo (Peru) Pedro Barreto, defende os povos da floresta amazônica e já recebeu ameaças por denunciar as condições de trabalho nas minas ilegais.

O pontífice também nomeará sete cardeais europeus nesta quinta-feira, incluindo o italiano Giuseppe Petrocchi, arcebispo de L'Aquila, cidade destruída por um violento terremoto há nove anos. 

Três europeus são clérigos próximos ao papa e têm cargos no Vaticano: o jesuíta espanhol Luis Ladaria Ferrer, de 74 anos, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé desde julho do ano passado, o italiano Angelo Becciu, 70 anos, secretário de Assuntos Gerais do Estado, e o polonês Konrad Krajewski, 54 anos, capelão responsável pelas obras de caridade do pontífice. 

O arcebispo de Osaka (Japão), Thomas Aquinas Manyo, será o único cardeal japonês no colégio. Outros nomeados serão o português Antonio dos Santos Marto, de Leiria-Fátima, e o italiano Angelo De Donatis, vigário da diocese de Roma. 

O papa também selecionou três religiosos que não serão eleitores por sua idade: Sergio Obeso Rivera, arcebispo emérito de Xalapa (México), Toribio Ticona Porco, prelado emérito de Corocoro (Bolívia), e o padre missionário espanhol e autor de livros Aquilino Bocos Merino.

Após o consistório, 59 dos 125 cardeais eleitores terão sido designados diretamente pelo papa Francisco. O colégio cardinalício tem 226 prelados. 

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