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Correio Braziliense

Socorristas drenam 40% da água que inundou caverna, na Tailândia

Equipes de socorristas drenam 40% da água que inundou caverna, mas a saúde debilitada de dois dos 12 garotos e do treinador dificulta o salvamento. Resgate do grupo, preso no local desde 23 de junho, deve demorar cerca de 11 horas para cada pessoa


postado em 06/07/2018 06:00 / atualizado em 06/07/2018 01:01

Familiares de crianças e do técnico isolados na caverna de Tham Luang oram na entrada da galeria subterrânea: o tempo como ameaça (foto: AFP PHOTO / Ye Aung THU )
Familiares de crianças e do técnico isolados na caverna de Tham Luang oram na entrada da galeria subterrânea: o tempo como ameaça (foto: AFP PHOTO / Ye Aung THU )


Do lado de fora da caverna de Tham Luang, na província de Chiang Rai (norte da Tailândia), familiares se ajoelham diante de uma estátua do Buda e queimam incensos. Nas últimas horas, a fé e a angústia disputavam espaço, enquanto socorristas contornavam uma série de obstáculos para tentar resgatar 12 garotos, de 11 a 16  anos, e o técnico de futebol, de 25, presos a 4km da entrada após a inundação de duas câmaras da galeria. Uma operação para retirar o grupo sofreu revés, ontem, depois que a água drenada do interior foi acidentalmente devolvida à caverna. Uma avaliação médica feita por especialistas dos SEALs — a elite especial da Marinha da Tailândia — constatou que dois jovens e o treinador sofrem de exaustão provocada pela desnutrição, o que torna o salvamento de alto risco. O resgate de cada menino deve durar 11 horas. Os mergulhadores levarão cinco horas para passar por túneis escuros e estreitos até chegarem ao grupo e mais seis horas para voltarem à superfície. A esperança está no fato de que 40% do volume de água foi escoado (128 milhões de litros), o que abriu um trecho de 1,5km, agora lamacento.

“É uma notícia fantástica. Quanto mais água retirarem, mais fácil será para os mergulhadores carregarem suprimentos para dentro e para fora da caverna. Se decidirem retirar as crianças, mergulhando, isso tornará a operação um pouco mais segura”, explicou ao Correio Anmar Mirza, coordenador da Comissão Nacional de Resgates em Cavernas dos Estados Unidos. “A melhor forma para tirá-las de lá depende inteiramente das condições do tempo. Mergulhar é a opção mais arriscada, mas, se onde estiverem não for um local seguro, essa será a melhor alternativa.” Até o fechamento desta edição, as equipes trabalhavam numa terceira passagem, inundada até o teto. Não bastassem as dificuldades técnicas, as previsões meteorológicas nada são alentadoras: a expectativa é de que a região seja atingida por chuvas de monções no domingo. “Nós estamos calculando quanto tempo teremos se chover, quantas horas e dias”, declarou Narongsak Osotthanakorn, governador de Chiang Rai. “Nossa principal missão continua sendo o bombeamento.”

Segundo o jornal Bangkok Post, as autoridades consideram dois planos. O primeiro envolve três integrantes dos SEALs mergulhando por 1.900m com cada um dos garotos, além do treinador. Os principais entraves estão no fato de que as passagens são estreitas e a água é lamacenta. O segundo plano seria perfurar um poço vertical de 800m até o local onde o grupo se encontra, uma opção que representa riscos à segurança do técnico e dos meninos. Um dos maiores desafios é o de ensinar aos 13 técnicas de mergulho.
 
 

Em entrevista à rede de TV CNN, Puwadet Kumngoen e Kittichoke Konkaew, ambos de 14 anos, contaram que desistiram da partida de futebol com os colegas do time conhecido como “Moo Pa” (“Os Javalis”, em tailandês). “Eu fiquei muito preocupado sobre o que ocorreu com eles. As cavernas são locais escuros e assustadores. Eu não ousaria em ir jamais ali”, disse Konkaew. “Na primeira vez que soube que tinham sido encontrados, não pude dizer uma palavra. Fiquei muito feliz em saber que meus amigos estão a salvo”, comentou Kumngoen. Por nove dias, o grupo ficou sem comida e sem água.

Mineiro

Ontem, o chileno Mario Sepúlveda, o líder dos 33 mineiros chilenos que ficaram 69 dias soterrados, no Deserto do Atacama (leia a entrevista), fez um vídeo motivacional para os garotos tailandeses. “Quero enviar muita força a todas as autoridades e às famílias desses 12 meninos que estão sob a terra. Não tenho dúvidas de que, se o governo desse país colocar tudo em ordem e fizer os esforços que têm sido feitos, (...) esse resgate será um sucesso”, afirmou no vídeo que ele enviou ao Correio.


Eu acho...

“O fato de dois garotos e o treinador apresentarem sinais de exaustão por desnutrição aumenta gravemente o risco de resgate, caso tenham de sair mergulhando. Se eles não puderem melhorar a saúde, dentro da caverna, mergulhar se tornará mais difícil e mais perigoso.”

Anmar Mirza, coordenador da Comissão Nacional de Resgates em Cavernas dos Estados Unidos


Naufrágio mata um e deixa 53 desaparecidos

Um homem morreu e 53 pessoas, principalmente passageiros chineses, estavam desaparecidas depois do naufrágio de um barco de turismo em frente à costa da Ilha de Phuket, na Tailândia. “Interrompemos o resgate (...), começaremos novamente amanhã (hoje)”, disse a jornalistas o governador de Phuket, Noraphat Plodthong, detalhando que 53 pessoas continuam desaparecidas. O corpo de um homem com colete salva-vidas foi resgatado do mar. A embarcação levava 90 pessoas e retornava para Phuket de Koh Racha quando se viu em meio a uma tempestade.

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