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Correio Braziliense

Obama adverte contra nacionalismo e medo de mudanças tecnológicas

Em uma incomum aparição pública, Obama participou hoje, na capital espanhola, de uma cúpula sobre inovação tecnológica e economia circular


postado em 06/07/2018 11:25

(foto: Fernando Calvo/AFP)
(foto: Fernando Calvo/AFP)

 
Madri, Espanha - O ex-presidente americano Barack Obama (2009-2017) se manifestou, nesta sexta-feira (6) em Madri, contra "o auge do nacionalismo" e insistiu na necessidade de se educar para adaptar a população para as vertiginosas mudanças políticas e econômicas trazidas pela tecnologia.

Em uma incomum aparição pública, Obama participou hoje, na capital espanhola, de uma cúpula sobre inovação tecnológica e economia circular.

Diante de uma plateia de cerca de duas mil pessoas reunidas em um auditório, Obama advertiu que o mundo está vivendo "um auge do nacionalismo" em resposta à "extraordinária mudança" representada pela tecnologia e pela globalização na economia e na política.

"São tempos difíceis em nível político e social (...) As pessoas estão muito ansiosas, as mudanças acontecem rápido. E as pessoas se perguntam se conseguem se adaptar a todas essas mudanças, e têm medo", explicou.

O ex-presidente democrata disse que se preocupa, especialmente, com a fragmentação da opinião pública, já que os veículos de comunicação tratam a atualidade de forma tão divergente que "nem estamos de acordo quanto à realidade".

"Se você olha a Fox News, está vendo uma realidade diferente da que você lê no New York Times", citou, acusando veículos como o canal conservador americano de darem a impressão de que "a mudança climática não está para acontecendo".

Este fenômeno - completou - "foi explorado em nível internacional por algumas forças", que se concentram em determinados nichos de audiência e "alimentam seus preconceitos".

A resposta, recomendou Obama, deve ser "educar nossos jovens para que pensem de maneira diferente e se adaptem às circunstâncias".

Agora, "a maioria dos problemas que enfrentamos (...) tem a ver com a política, a avareza, a inveja".

Diante do risco de fosso digital entre territórios e categorias socioprofissionais, também pediu que se garanta que a política esteja "à altura", para que a tecnologia "não acelere as divisões".

O ex-presidente voltou a criticar o governo Donald Trump, seu sucessor, por se retirar do Acordo sobre o Clima, de Paris, e por não priorizar a pesquisa em ciência, área em que "estamos cometendo um grande erro".

Ainda assim, Obama se mostrou otimista em relação ao clima, avaliando que a economia "acelerou" o uso de energias renováveis.

Depois de sua passagem pela Espanha, Obama participa, ainda hoje, de outra reunião sobre mudança climática no Porto, em Portugal.

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